UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 58 anos, diagnosticada com leucemia crônica, no momento, está assintomática. Exames laboratoriais: leucócitos = 120.000/mm³, com desvio até promielócitos, basofilia e eosinofilia; sem anemia e contagem plaquetária normal. Cromossoma Philadelphia positivo. O tratamento melhor indicado no momento é:
Cromossomo Philadelphia (t(9;22)) + Leucocitose com desvio → Imatinibe.
A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é definida pela translocação t(9;22), gerando o gene BCR-ABL1. O tratamento padrão-ouro na fase crônica é o uso de Inibidores da Tirosina Quinase (ITQ).
A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é uma neoplasia mieloproliferativa caracterizada pela expansão clonal de células-tronco hematopoiéticas. A fisiopatologia central envolve o gene de fusão BCR-ABL1. Clinicamente, divide-se em fase crônica, acelerada e blástica. A maioria dos pacientes é diagnosticada na fase crônica, muitas vezes de forma incidental em hemogramas de rotina que revelam leucocitose acentuada com desvio escalonado (presença de todas as formas maturativas da linhagem granulocítica). O advento dos Inibidores de Tirosina Quinase (ITQs), como o Imatinibe, revolucionou a hematologia. Esses fármacos bloqueiam o sítio de ligação do ATP na proteína BCR-ABL1, impedindo a sinalização oncogênica. O monitoramento é feito através de PCR quantitativo para BCR-ABL1, visando a Resposta Molecular Maior. O transplante de medula óssea, antes primeira linha, hoje é reservado para casos de falha terapêutica múltipla ou progressão para crise blástica.
O achado patognomônico é o Cromossomo Philadelphia (Ph+), resultante da translocação recíproca entre os cromossomos 9 e 22 [t(9;22)(q34;q11)]. Essa alteração funde o gene ABL1 ao gene BCR, criando uma proteína com atividade tirosina quinase constitutivamente ativa, que impulsiona a proliferação mieloide descontrolada característica da doença.
O Mesilato de Imatinibe é um inibidor de tirosina quinase que ataca especificamente a proteína BCR-ABL1. Diferente da quimioterapia convencional, ele oferece altas taxas de resposta citogenética e molecular completa com toxicidade significativamente menor, transformando a LMC em uma doença crônica controlável com excelente sobrevida a longo prazo.
A LMC apresenta basofilia, eosinofilia e esplenomegalia frequente, além da presença do cromossomo Philadelphia. Na reação leucemoide, geralmente secundária a infecções ou inflamações graves, a fosfatase alcalina leucocitária está elevada, enquanto na LMC ela está tipicamente reduzida ou ausente.
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