Leucocitose e LMC: Quando Investigar BCR-ABL?

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 39 anos, assintomático, com exame físico normal, apresenta, em um exame admissional, o seguinte hemograma: Hb 14g/dl; Leucócitos totais 70.000/mm³ (Segmentados 75%, Bastonetes 5%, Metamielócitos 3%, Mielócitos 2%, Prómielócitos 2%, Eosinófilos 3%, Basófilos 2%, Monócitos 3% e Linfócitos 5%), Plaquetas 350.000/mm³. Além disso, apresenta um VHS de 10mm e Proteína C reativa de 0,2mg/dl. Tal hemograma foi repetido e confirmado. Diante de tal fato, pode-se afirmar que:

Alternativas

  1. A) A pesquisa da mutação bcr-abl (ou das protéinas p210/190) está indicada. Caso positiva, há indicação de tratamento.
  2. B) A pesquisa da mutação bcr-abl (ou das proteínas p210/190) não está indicada, pois não há esplenomegalia e o paciente é jovem
  3. C) A pesquisa da mutação bcr-abl (ou das proteínas p210/190) não está indicada pois não há Anemia e o paciente é jovem
  4. D) A pesquisa da mutação bcr-abl (ou das proteínas p210/190) está indicada; caso seja positiva, o tratamento não está indicado, pois o paciente é assintomático e não há citopenias importantes.

Pérola Clínica

Leucocitose >50.000/mm³ com desvio à esquerda (mielócitos, metamielócitos) + assintomático → suspeitar LMC → pesquisar BCR-ABL.

Resumo-Chave

Uma leucocitose tão acentuada (70.000/mm³) com presença de formas imaturas de granulócitos (mielócitos, metamielócitos, promielócitos) em um paciente assintomático é altamente sugestiva de leucemia mieloide crônica (LMC), mesmo sem esplenomegalia ou anemia. A pesquisa do gene BCR-ABL (cromossomo Philadelphia) é o padrão ouro para o diagnóstico e, se positivo, o tratamento com inibidores de tirosina quinase é indicado.

Contexto Educacional

A leucemia mieloide crônica (LMC) é uma neoplasia mieloproliferativa caracterizada pela proliferação clonal de células-tronco hematopoéticas, resultando em uma produção excessiva de granulócitos maduros e imaturos. É mais comum em adultos de meia-idade e idosos, mas pode ocorrer em qualquer idade. A importância clínica reside na sua progressão natural para fases mais agressivas se não tratada. O diagnóstico da LMC é frequentemente suspeitado por um hemograma de rotina que revela leucocitose acentuada com desvio à esquerda, basofilia e, por vezes, plaquetose. A esplenomegalia é um achado comum, mas sua ausência não exclui o diagnóstico. A confirmação diagnóstica é feita pela detecção do cromossomo Philadelphia (Ph) t(9;22)(q34;q11) e/ou do gene de fusão BCR-ABL, que codifica uma proteína tirosina quinase aberrante. O tratamento da LMC revolucionou-se com o advento dos inibidores de tirosina quinase (ITKs), como o imatinibe, nilotinibe e dasatinibe. Esses medicamentos atuam inibindo a atividade da proteína BCR-ABL, controlando a doença e prolongando significativamente a sobrevida dos pacientes. O tratamento é indicado para todos os pacientes com LMC na fase crônica, independentemente dos sintomas, para prevenir a progressão para a fase acelerada ou blástica, que tem um prognóstico muito pior.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem leucemia mieloide crônica (LMC)?

Os principais achados incluem leucocitose acentuada (geralmente >25.000/mm³, podendo chegar a centenas de milhares), com desvio à esquerda completo (presença de mielócitos, metamielócitos, promielócitos e, ocasionalmente, blastos), basofilia e eosinofilia. A anemia e a plaquetose podem estar presentes, mas não são obrigatórias na fase crônica.

Por que a pesquisa do gene BCR-ABL é crucial no diagnóstico da LMC?

A presença do gene de fusão BCR-ABL, resultante do cromossomo Philadelphia t(9;22)(q34;q11), é o marcador molecular patognomônico da LMC. Sua detecção confirma o diagnóstico e é fundamental para guiar o tratamento, uma vez que os inibidores de tirosina quinase (ITKs) atuam especificamente contra a proteína BCR-ABL.

O tratamento da LMC é sempre indicado, mesmo em pacientes assintomáticos?

Sim, o tratamento da LMC com inibidores de tirosina quinase (ITKs) é indicado em todos os pacientes com diagnóstico confirmado de LMC na fase crônica, mesmo que assintomáticos. O objetivo é prevenir a progressão da doença para fases mais agressivas (acelerada ou blástica), que são de pior prognóstico.

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