TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere que um paciente de 32 anos de idade, de etnia branca, veio à consulta por apresentar palidez, perda de peso (8 kg em três meses) e anorexia. Ao exame físico, apresentava palidez de pele e mucosas e esplenomegalia, sendo o baço palpável a 6 cm do RCE. O hemograma apresentava anemia discreta normocrômica normocítica, leucocitose importante (96.000 leucócitos, por uL), com predomínio de granulócitos, desde as formas jovens (promielócitos, mielócitos e metamielócitos) até as formas maduras. Seis por cento das células presentes no sangue periférico eram blastos e 5% eram de basófilos. A contagem de plaquetas era elevada (680.000 por uL). Foi encontrado alto número de transcritos BCR-ABL no sangue periférico. A citologia e a biópsia da medula óssea confirmaram os achados do sangue periférico. O exame histológico mostrou hiperplasia granulocítica e megacariocítica, fator eritropoético diminuído e ausência de fibrose. O estudo citogenético revelou a presença do cromossomo Philadelphia. Ficou confirmado o diagnóstico de Leucemia Mieloide Crônica. Foi iniciado o tratamento com inibidor de tirosina quinase (mesilato de imatinibe). Com base no que foi apresentado, assinale a alternativa correta:
LMC = t(9;22) → BCR-ABL. Monitoramento: Hemograma + PCR quantitativo para BCR-ABL.
A LMC é uma neoplasia mieloproliferativa definida pelo cromossomo Philadelphia. O monitoramento da resposta ao tratamento com ITQs é feito por hemograma e níveis de transcritos BCR-ABL.
A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é o protótipo da medicina de precisão em oncologia. O quadro clínico clássico envolve leucocitose acentuada com desvio à esquerda escalonado, basofilia, eosinofilia e esplenomegalia muitas vezes volumosa. O diagnóstico definitivo requer a identificação da translocação t(9;22) ou do transcrito BCR-ABL1. O tratamento com inibidores de tirosina quinase (ITQs) transformou a LMC em uma condição crônica com sobrevida próxima à normal. O acompanhamento rigoroso com PCR quantitativo é o padrão-ouro para detectar falhas precoces e guiar a troca de terapia para ITQs de segunda ou terceira geração.
A LMC é caracterizada pela presença do cromossomo Philadelphia (Ph+), que resulta de uma translocação recíproca entre os cromossomos 9 e 22 [t(9;22)(q34;q11)]. Essa alteração funde o gene ABL1 com o gene BCR, criando o oncogene BCR-ABL1. Este gene codifica uma proteína tirosina quinase constitutivamente ativa que impulsiona a proliferação mieloide descontrolada típica da doença.
O monitoramento é realizado em diferentes níveis. Inicialmente, busca-se a Resposta Hematológica Completa (normalização do hemograma e baço). Posteriormente, avalia-se a Resposta Citogenética (redução de metáfases Ph+ na medula) e, mais sensivelmente, a Resposta Molecular através da quantificação de transcritos BCR-ABL1 por RT-qPCR no sangue periférico. A Resposta Molecular Maior (RMM) é definida como BCR-ABL1 ≤ 0,1% na Escala Internacional.
A crise blástica representa a fase final da evolução natural da LMC não tratada ou resistente. Caracteriza-se pela perda de diferenciação celular e acúmulo de mais de 20% de blastos no sangue ou medula óssea, assemelhando-se a uma leucemia aguda (mieloide ou linfoide). O uso de Inibidores de Tirosina Quinase (ITQs) como o Imatinibe reduziu drasticamente a incidência dessa progressão.
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