UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2023
Pré-escolar, três anos e cinco meses, sexo feminino, vem apresentando dores ósseas difusas iniciadas há três meses, que não melhoram com o uso de analgésicos comuns, associados à febre baixa intermitente, cefaleia, vômitos frequentes, anorexia, perda ponderal de quatro quilos e irritação com prejuízo de sono. A partir do resultado do hemograma, foi diagnosticado "anemia discreta” tendo sido prescrito sulfato ferroso por seis meses. Há um mês, a mãe notou palidez que vem se acentuando. Exame físico: irritabilidade, fáceis de sofrimento, dificuldade para deambular pela dor, hipocorada +/4+, adenomegalias cervicais, axilares e inguinais móveis, fibroelásticas, não coalescentes, medindo de 0,5 a 1 cm de diâmetro, fígado palpável a 5 cm, do rebordo costal direito, baço a 4 cm do rebordo costal esquerdo, petéquias em membros inferiores e sopro sistólico +/4+ pancardíaco, sem irradiação. A principal hipótese diagnóstica é:
Dores ósseas, febre, adenomegalias, hepatoesplenomegalia e petéquias em pré-escolar → suspeitar LLA.
O quadro clínico de dores ósseas difusas, febre baixa, perda ponderal, adenomegalias, hepatoesplenomegalia e petéquias em uma criança é altamente sugestivo de leucemia linfoide aguda, mesmo com uma anemia inicialmente discreta.
A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é a neoplasia mais comum na infância, representando cerca de 25% de todos os cânceres pediátricos. Sua apresentação clínica pode ser insidiosa e mimetizar doenças benignas, o que torna o diagnóstico um desafio. A suspeita deve surgir diante de um conjunto de sintomas inespecíficos, como palidez, fadiga, febre persistente ou intermitente, dores ósseas ou articulares, perda de peso e irritabilidade, especialmente em pré-escolares. O caso clínico apresentado é clássico para LLA, com a tríade de sintomas constitucionais (febre, anorexia, perda ponderal), sinais de infiltração medular (anemia, petéquias por plaquetopenia, dores ósseas) e infiltração extramedular (adenomegalias, hepatoesplenomegalia). A cefaleia e vômitos podem indicar envolvimento do sistema nervoso central. É fundamental que o médico não se prenda apenas a um achado isolado, como a anemia, mas avalie o quadro clínico de forma abrangente. O tratamento da LLA é complexo e envolve quimioterapia intensiva em várias fases, com altas taxas de cura. O prognóstico depende de fatores como idade, contagem de leucócitos ao diagnóstico e subtipo genético. O reconhecimento precoce e a referência a um centro especializado são cruciais para o sucesso terapêutico e a melhora do prognóstico da criança.
Os principais sinais e sintomas da LLA em crianças incluem palidez (anemia), febre (infecções ou doença), dores ósseas ou articulares, fadiga, perda de peso, irritabilidade, sangramentos (petéquias, equimoses) e aumento de gânglios (adenomegalias), fígado (hepatomegalia) e baço (esplenomegalia).
A anemia na LLA ocorre devido à infiltração da medula óssea por células leucêmicas, que suprimem a produção de glóbulos vermelhos. Diferencia-se da anemia ferropriva pela presença de outros sintomas sistêmicos como febre, dores ósseas, adenomegalias e hepatoesplenomegalia, que não são típicos da anemia ferropriva isolada. O hemograma completo e a avaliação da medula óssea são cruciais para o diagnóstico.
Os diagnósticos diferenciais incluem outras doenças hematológicas, infecções virais (que podem causar adenomegalias e hepatoesplenomegalia), artrite idiopática juvenil (pelas dores articulares e febre), febre reumática e, em casos mais raros, outros tumores sólidos como o neuroblastoma, que pode causar dores ósseas por metástases.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo