UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020
Pais relatam que, há aproximadamente 20 dias, filho de cinco anos iniciou quadro de adinamia, fadiga, dores em membros inferiores e nas articulações dos joelhos, febre intermitente e equimoses pelo corpo, após traumas leves. Exame físico: palidez cutâneo mucosa++/4+, linfonodomegalias em região cervical bilateralmente, baço palpável a 6,5cm do rebordo costal esquerdo, fígado palpável a 3,5cm do rebordo costal direito, equimoses difusas em membros inferiores e dorso. Há cerca de uma semana, foi iniciado pelo médico assistente corticoide via oral para criança, com melhora das dores em membros inferiores. Exames laboratoriais: hematócrito: 22,5%; hemoglobina: 7,4g/dL, VCM: 78,3fL, CHCM: 32,8g/dL; HCM: 25,7pg; leucócitos: 8.000/mm³ (linfócitos 88%, segmentados 12%), contagem de plaquetas 25.000/mm³. A principal hipótese diagnóstica é:
Criança com palidez, febre, dor óssea, equimoses, linfonodomegalia e citopenias → suspeitar LLA.
A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é o câncer mais comum na infância, com pico de incidência entre 2 e 5 anos. A apresentação clínica é variada, mas a tríade de anemia, infecções e sangramentos, associada a dor óssea, linfonodomegalia e hepatoesplenomegalia, é altamente sugestiva.
A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é a neoplasia maligna mais frequente na infância, representando cerca de 25% de todos os cânceres pediátricos, com pico de incidência entre 2 e 5 anos de idade. É caracterizada pela proliferação descontrolada de linfoblastos na medula óssea, que suprimem a produção de células sanguíneas normais e podem infiltrar outros órgãos. O reconhecimento precoce é vital para o prognóstico. A apresentação clínica da LLA é inespecífica e pode mimetizar outras doenças pediátricas. Os sintomas resultam da falência medular (anemia, trombocitopenia e neutropenia), levando a palidez, fadiga, equimoses, sangramentos e infecções de repetição. A infiltração extramedular causa dor óssea, linfonodomegalia, hepatoesplenomegalia e, em casos avançados, acometimento do sistema nervoso central ou testicular. O diagnóstico é feito com base na suspeita clínica, hemograma com achados sugestivos (citopenias e/ou blastos) e confirmado por mielograma com imunofenotipagem. O tratamento é complexo, envolvendo quimioterapia em múltiplas fases, e o prognóstico melhorou significativamente nas últimas décadas, com altas taxas de cura. A melhora da dor óssea com corticoides é um achado clássico que pode levantar a suspeita.
Os sintomas mais comuns incluem palidez, fadiga, febre, dor óssea ou articular, equimoses ou sangramentos fáceis, linfonodomegalia e aumento do fígado e baço (hepatoesplenomegalia).
O hemograma pode mostrar anemia, trombocitopenia e leucocitose, leucopenia ou contagem normal de leucócitos, mas com a presença de blastos (células imaturas) no diferencial, ou uma linfocitose relativa com neutropenia.
A dor óssea na LLA é causada pela infiltração das células leucêmicas na medula óssea e no periósteo, levando a um aumento da pressão e irritação, sendo frequentemente confundida com dores do crescimento.
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