LLA Pediátrica: Manejo da Síndrome de Lise Tumoral

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019

Enunciado

Uma menina de cinco anos de idade foi levada ao hospital com quadro de palidez há uma semana, acompanhado de febre intermitente de cerca de 38 graus Celsius e aumento do volume abdominal. Ao exame físico, apresentou-se descorada 2+/4 e com hepatoesplenomegalia com adenomegalia cervical, sem outras alterações. Não apresentou sangramento e a diurese estava normal. Exames laboratoriais mostraram: Hb 6,6 g/dL; Ht 20,1%; leucócitos 737 mil/uL, com 88% de blastos; e plaquetas 36 mil/uL. Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que o(a)

Alternativas

  1. A) uso de medicações, como, por exemplo, a urato-oxidase recombinante, é útil.
  2. B) paciente pode apresentar risco de arritmia devido à hipercalcemia.
  3. C) paciente deve receber hidratação restrita para evitar congestão cardiocirculatória. 
  4. D) transfusão de plaquetas é urgente e indicada mesmo se não apresentar sangramento.
  5. E) risco de lesão renal aguda é baixo se o potássio inicial estiver normal.

Pérola Clínica

Leucemia com hiperleucocitose → alto risco de Síndrome de Lise Tumoral. Hidratação vigorosa e Rasburicase são cruciais.

Resumo-Chave

O quadro clínico e laboratorial (hiperleucocitose com blastos, anemia, plaquetopenia, hepatoesplenomegalia) é altamente sugestivo de Leucemia Linfoide Aguda (LLA). A hiperleucocitose (>100.000/uL) confere alto risco de Síndrome de Lise Tumoral, uma emergência oncológica caracterizada por hiperuricemia, hiperfosfatemia, hipercalemia e hipocalcemia, com risco de lesão renal aguda. A urato-oxidase recombinante (Rasburicase) é fundamental para o manejo da hiperuricemia.

Contexto Educacional

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é o câncer mais comum na infância, e seu diagnóstico precoce é crucial. O quadro clínico de palidez, febre, hepatoesplenomegalia e adenomegalia, associado a um hemograma com anemia, plaquetopenia e hiperleucocitose com blastos, é altamente sugestivo. A hiperleucocitose, definida como leucócitos >100.000/uL, é um fator de risco importante para complicações graves, como a Síndrome de Lise Tumoral (SLT). A Síndrome de Lise Tumoral é uma emergência oncológica que ocorre devido à rápida destruição das células tumorais, liberando grandes quantidades de potássio, fosfato e ácidos nucleicos (que se convertem em ácido úrico) na circulação. Isso leva a hipercalemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia e, secundariamente, hipocalcemia (pela precipitação de cálcio com fosfato). Essas alterações podem causar arritmias cardíacas, convulsões e, mais comumente, lesão renal aguda obstrutiva pelos cristais de ácido úrico e fosfato. O diagnóstico é laboratorial e a suspeita clínica é fundamental em pacientes com alta carga tumoral. O manejo da SLT é preventivo e terapêutico. A hidratação venosa vigorosa é a pedra angular para manter um bom fluxo urinário. A alcalinização urinária com bicarbonato é controversa e não mais rotineiramente recomendada. A urato-oxidase recombinante (Rasburicase) é a medicação de escolha para tratar ou prevenir a hiperuricemia, convertendo o ácido úrico em um metabólito mais solúvel. O tratamento da hipercalemia e hipocalcemia deve ser feito conforme as diretrizes. O prognóstico da LLA pediátrica é geralmente bom, mas as emergências oncológicas como a SLT exigem reconhecimento e manejo imediatos para evitar morbidade e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais da Síndrome de Lise Tumoral?

A Síndrome de Lise Tumoral é caracterizada por hiperuricemia, hiperfosfatemia, hipercalemia e hipocalcemia, resultantes da rápida destruição das células tumorais e liberação de seu conteúdo intracelular.

Qual o papel da urato-oxidase recombinante (Rasburicase) no tratamento da lise tumoral?

A Rasburicase é uma enzima que catalisa a conversão do ácido úrico em alantoína, um metabólito mais solúvel e facilmente excretado pelos rins, prevenindo ou tratando a hiperuricemia e, consequentemente, a lesão renal aguda.

Quando a transfusão de plaquetas é indicada em pacientes com leucemia e plaquetopenia?

A transfusão profilática de plaquetas é geralmente indicada quando a contagem é inferior a 10.000-20.000/uL, ou em caso de sangramento ativo, ou antes de procedimentos invasivos, independentemente da contagem.

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