HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022
Pré-escolar, sexo masculino, com 3 anos e meio, foi trazido ao serviço médico, após atendimentos por vários médicos, por conta de uma dor que tem apresentado nos membros e nas articulações, fazendo-o acordar durante a noite. Nas últimas semanas, a criança tem ficado muito cansada e apresentou alguns episódios de sangramento nasal. Durante o exame físico, identifica-se uma linfonodomegalia cervical e inguinal e hepatoesplenomegalia. Um hemograma recentemente solicitado apresenta os seguintes resultados: Hb 7,7 g/dL, Ht 23%, plaquetas 79000/mm³ , com leucometria total de 31000/mm³ . Em relação a esse caso, é correto afirmar que
Criança com dor óssea, fadiga, sangramento, linfonodomegalia e hepatoesplenomegalia + hemograma alterado → suspeitar de neoplasia hematológica.
A combinação de sintomas sistêmicos (fadiga, sangramento), dor óssea, organomegalia e linfonodomegalia, junto com alterações no hemograma (anemia, trombocitopenia, leucocitose), é altamente sugestiva de uma doença neoplásica, como a leucemia aguda, e requer investigação prioritária.
A leucemia linfoide aguda (LLA) é a neoplasia mais comum na infância, com pico de incidência entre 2 e 5 anos. Seu diagnóstico precoce é crucial para o prognóstico. Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, o que torna o reconhecimento dos sinais de alerta fundamental para o médico generalista e o pediatra. A apresentação clínica clássica envolve sintomas relacionados à falência medular (anemia, sangramentos, infecções) e infiltração de órgãos (dor óssea, linfonodomegalia, hepatoesplenomegalia). A fisiopatologia da LLA envolve a proliferação descontrolada de linfoblastos na medula óssea, que suprime a produção de células sanguíneas normais e pode infiltrar outros tecidos. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e hemograma, e confirmado por mielograma com imunofenotipagem. É vital diferenciar a LLA de condições benignas, como dores de crescimento, que não apresentam os achados sistêmicos e hematológicos graves observados na leucemia. O tratamento da LLA é complexo e envolve quimioterapia intensiva, com diferentes fases (indução, consolidação, manutenção) e, em alguns casos, transplante de medula óssea. O prognóstico melhorou significativamente nas últimas décadas, com taxas de cura elevadas. A suspeita clínica e a investigação rápida são os pilares para um manejo adequado e desfechos favoráveis.
Os sinais de alerta incluem fadiga persistente, palidez, sangramentos (epistaxe, petéquias), dor óssea ou articular, febre inexplicável, perda de peso, linfonodomegalia e hepatoesplenomegalia.
O hemograma pode revelar anemia, trombocitopenia e leucocitose (com blastos circulantes) ou leucopenia. A presença de blastos é um achado crítico que sugere leucemia aguda.
A conduta inicial é a investigação prioritária para doença neoplásica, incluindo exames laboratoriais complementares, mielograma e biópsia de medula óssea para confirmação diagnóstica e estadiamento.
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