HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022
Pré-escolar de quatro anos, sexo masculino, apresentou há 30 dias febre, coriza e dor de garganta, tendo sido levado ao pediatra que receitou amoxicilina. Após três dias sem melhora clínica, voltou ao médico que manteve o diagnóstico de infecção de vias aéreas superiores e iniciou cefalosporina. A criança apresentou melhora da febre, mas a mãe notoudescoramento progressivo e claudicação (dor no membro inferior direito) e, por isso, o medicou por conta própria com anti-inflamatório não hormonal, ocasionando o desaparecimento da dor. A criança permaneceu descorada e mais hipoativa e foi novamente levada ao pronto-socorro. Nessa consulta, ao exame físico apresentava-se: hipocorado ++/4+, linfadenopatia cervical bilateral com linfonodos endurecidos, coalescentes, sem sinais flogísticos, comprometendo todas as cadeias cervicais e pequenos nódulos na fossa supraclavicular direita; fígado: 2cm do rebordo costal direito, baço: 4cm do rebordo costal esquerdo. Os exames laboratoriais revelam: Hb = 9,0g/dl, leucócitos = 10.800/mm3 (neutrófilos = 5%, linfócitos = 90% e monócitos = 5%), plaquetas =130.000/mm3; DHL = 860U/L (normal = 240-480U/L), ácido úrico = 4mg/dL. A ultrassonografia abdominal solicitada revelou aumento homogêneo de fígado e baço. A conduta indicada para esse caso é:
Criança com febre prolongada, anemia, trombocitopenia, linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia e linfocitose atípica → suspeita alta de leucemia.
O quadro clínico de febre prolongada, descoramento (anemia), claudicação (dor óssea), linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia e alterações no hemograma (anemia, trombocitopenia, linfocitose com neutropenia) é altamente sugestivo de leucemia aguda em crianças. A investigação da medula óssea é essencial para o diagnóstico.
A leucemia linfoide aguda (LLA) é o câncer mais comum na infância, representando cerca de 25% de todos os cânceres pediátricos. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e a melhora do prognóstico. Os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, mimetizando infecções comuns, o que pode atrasar o reconhecimento. A fisiopatologia da leucemia envolve a proliferação descontrolada de células hematopoiéticas imaturas (blastos) na medula óssea, que suprimem a produção de células sanguíneas normais e infiltram outros órgãos. Isso leva a anemia (palidez, hipoatividade), trombocitopenia (sangramentos), e neutropenia (infecções). A infiltração de blastos em ossos causa dor (claudicação), e em órgãos linfoides e reticuloendoteliais causa linfadenopatia e hepatoesplenomegalia. O caso clínico apresenta um quadro clássico de leucemia: febre prolongada, falha terapêutica com antibióticos, anemia, trombocitopenia (plaquetas no limite inferior), linfocitose relativa com neutropenia, DHL elevado (indicador de alta proliferação celular), linfadenopatia endurecida e hepatoesplenomegalia. Diante dessa constelação de achados, a hipótese diagnóstica de leucemia é muito alta, e a conduta imediata é encaminhar para investigação da medula óssea para confirmação diagnóstica e estadiamento.
Os principais sinais incluem febre persistente, palidez (anemia), sangramentos (petéquias, equimoses), dor óssea ou articular (claudicação), linfadenopatia, hepatoesplenomegalia e infecções de repetição.
O hemograma pode mostrar anemia, trombocitopenia, leucocitose ou leucopenia com presença de blastos, e desvio à esquerda com neutropenia e linfocitose atípica.
O exame confirmatório para leucemia é o mielograma (exame da medula óssea), que permite identificar a presença de células blásticas e classificá-las.
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