Prognóstico na LLA Pediátrica: Fatores Clínicos e Laboratoriais

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Um pré-escolar de 3 anos de idade foi levado ao pediatra de um pequeno Centro de Saúde regional para avaliação de palidez cutâneo-mucosa. A mãe relatou que a criança sempre gozou de boa saúde. Entretanto, há cerca de 2 meses, tem se apresentado prostrada. Além disso, tem se mostrado cada vez mais pálida e, no último mês, surgiram pequenas manchas vermelhas na pele. Ao exame: a criança se apresentava hipoativa, hipocorada 2+/4+, hidratada, anictérica e acianótica. Foi detectada poliadenomegalia cervical e inguinal. As auscultas respiratória e cardíaca estavam normais. O abdome estava distendido, flácido, indolor, com fígado palpável a 5 cm do rebordo costal direito e o baço palpável a 3 cm do rebordo costal esquerdo. Foi detectado rash petequial disseminado. O hemograma evidencia hematócrito de 22% (valor de referência = 36 ± 4%), hemoglobina de 7 g/dL (valor de referência = 11,8 ± 1,2 g/dL), volume corpuscular médio de 85 fL (valor de referência = 80 fL), concentração de hemoglobina corpuscular média de 32 g/dL (valor de referência = 32 g/dL), 75.000 leucócitos/mm³ (valor de referência = 4.000 a 14.000 leucócitos/mm³) com atipia linfocitária acima de 30%, e plaquetometria de 15.000 plaquetas/mm³ (valor de referência = 140.000 a 400.000 plaquetas/mm³). Tendo em vista o provável diagnóstico, qual dos fatores descritos neste caso está associado a um bom prognóstico para este paciente?

Alternativas

  1. A) Leucometria > 50.000 leucócitos/mm³.
  2. B) Plaquetometria < 150.000/mm³.
  3. C) Evolução de doença < 6 meses.
  4. D) Atipia linfocitária > 30%.
  5. E) Idade do paciente > 1 ano.

Pérola Clínica

LLA Pediátrica: Bom prognóstico = Idade entre 1 e 9 anos + Leuco inicial < 50.000/mm³.

Resumo-Chave

A idade do paciente no diagnóstico é um dos preditores mais fortes de desfecho na LLA; crianças entre 1 e 9 anos apresentam taxas de cura superiores a lactentes (<1 ano) ou adolescentes (>10 anos).

Contexto Educacional

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é a neoplasia maligna mais comum na infância. O quadro clínico clássico envolve insuficiência medular (anemia, trombocitopenia, neutropenia) e sintomas de infiltração tecidual. O diagnóstico é confirmado pelo mielograma demonstrando >20% de blastos (embora na prática pediátrica use-se frequentemente o corte de 25%). A estratificação de risco é fundamental para decidir a intensidade da quimioterapia. Além dos fatores clínicos (idade e leucócitos), a citogenética (ex: trissomia dos cromossomos 4 e 10 é favorável) e a avaliação da Doença Residual Mínima (DRM) após a indução são os pilares do manejo moderno, permitindo taxas de sobrevida que hoje ultrapassam 90% nos grupos de baixo risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de risco do National Cancer Institute (NCI) para LLA?

Os critérios do NCI (também conhecidos como critérios de Roma) estratificam pacientes com LLA de linhagem B em risco padrão ou alto risco. O Risco Padrão (bom prognóstico) é definido por: idade entre 1 ano e 9,99 anos E contagem de glóbulos brancos (leucometria) inicial inferior a 50.000/mm³. O Alto Risco inclui crianças com 10 anos ou mais OU leucometria inicial de 50.000/mm³ ou superior. Lactentes menores de 1 ano são sempre considerados de altíssimo risco, independentemente da leucometria.

Por que a idade influencia tanto o prognóstico da LLA?

A idade serve como um marcador biológico indireto das características citogenéticas e moleculares da doença. Lactentes (<1 ano) frequentemente apresentam rearranjos do gene KMT2A (MLL), associados a resistência quimioterápica. Adolescentes e adultos têm maior prevalência de translocações desfavoráveis, como o cromossomo Philadelphia t(9;22). Já a faixa de 1-9 anos concentra casos com hiperdiploidia e translocação t(12;21) [ETV6-RUNX1], que respondem excelentemente ao tratamento.

A presença de hepatoesplenomegalia ou adenomegalia altera o prognóstico?

Embora a infiltração de órgãos (fígado, baço, linfonodos) reflita a carga tumoral, elas não são mais consideradas fatores prognósticos independentes tão robustos quanto a idade, a leucometria inicial e a resposta precoce ao tratamento (Doença Residual Mínima - DRM). No entanto, massas mediastinais volumosas ou envolvimento do Sistema Nervoso Central (SNC) no diagnóstico ainda são sinais de alerta para uma doença mais agressiva.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo