PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2021
Fernando, traz sua filha de 3 anos para o PA, pois notou que ela está pálida, cansada com febre intermitente há 4 dias. Refere que ela esteve resfriada há 4 semanas, mas nunca ficou doente anteriormente. O pai nega que tenha apresentado vômitos e diarreia, mas relata que ela acordou com dores nas pernas na semana anterior e apresentou sangramento gengival ao escovar os dentes. O exame físico revela uma criança descorada +++, com poliadenopatia e algumas petéquias espalhadas pelo rosto e abdome. Seu abdome é flácido, não doloroso à palpação e tem baço palpável há 3cm. do rebordo costa esquerdo, mas sem hepatomegalia. Não apresenta dor e inchaço articular nos membros inferiores. O hemograma mostra HB-4,0g/dl, 8000 leucócitos e 7000 plaquetas. O diferencial mostra um número elevado de linfócitos atípicos. Qual é dos abaixo o exame seria o mais apropriado para o estabelecimento do diagnóstico?
Suspeita de LLA em criança com pancitopenia, linfócitos atípicos, poliadenopatia e esplenomegalia → Biópsia de medula óssea para diagnóstico.
O quadro clínico de Fernando, com anemia grave, trombocitopenia, linfócitos atípicos, poliadenopatia e esplenomegalia, é altamente sugestivo de uma malignidade hematológica, como a leucemia linfoide aguda. A biópsia de medula óssea é o exame definitivo para confirmar o diagnóstico, classificar o tipo de leucemia e guiar o tratamento.
A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é a neoplasia mais comum na infância, representando cerca de 25% de todos os cânceres pediátricos. Sua incidência é maior entre 2 e 5 anos de idade. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é vital, pois o prognóstico está diretamente relacionado à agilidade do diagnóstico e início do tratamento. A apresentação clínica é variada, mas frequentemente inclui sintomas inespecíficos como febre, palidez, fadiga, sangramentos e dor óssea, que podem mimetizar outras condições pediátricas mais benignas, tornando o raciocínio clínico um desafio. O diagnóstico da LLA baseia-se na suspeita clínica e nos achados do hemograma, que tipicamente mostra anemia, trombocitopenia e leucocitose ou leucopenia com presença de blastos ou linfócitos atípicos. A confirmação diagnóstica é feita pela biópsia e aspirado de medula óssea, que permite a identificação de mais de 25% de blastos. Além disso, a imunofenotipagem, citogenética e biologia molecular são fundamentais para a classificação do subtipo de LLA e para a estratificação de risco, que guiará a intensidade do tratamento quimioterápico. O tratamento da LLA é complexo e envolve quimioterapia intensiva em várias fases, podendo incluir radioterapia e, em alguns casos, transplante de medula óssea. O manejo de complicações como infecções, anemia e sangramentos é parte integrante do cuidado. O prognóstico geral da LLA infantil é favorável, com taxas de cura que podem ultrapassar 80%, mas a identificação precoce e a adesão rigorosa ao protocolo de tratamento são cruciais para o sucesso terapêutico e a redução da morbimortalidade.
Os sinais de alerta incluem palidez, fadiga, febre persistente ou intermitente, sangramentos (petéquias, gengivorragia), dores ósseas ou articulares, linfonodomegalia e esplenomegalia. O hemograma frequentemente revela citopenias (anemia, trombocitopenia) e presença de blastos ou linfócitos atípicos.
A biópsia de medula óssea é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de leucemia, pois permite a análise morfológica, imunofenotípica, citogenética e molecular das células da medula. Isso confirma a presença de células blásticas, classifica o tipo de leucemia e fornece informações prognósticas essenciais para o planejamento terapêutico.
Embora infecções virais possam causar linfocitose atípica e esplenomegalia, a leucemia geralmente se apresenta com pancitopenia significativa (anemia e trombocitopenia marcadas), sintomas mais arrastados e progressivos, e a presença de blastos no sangue periférico ou medula óssea. A biópsia de medula óssea é decisiva para a diferenciação.
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