Leucemia Linfoide Aguda Pediátrica: Sinais e Diagnóstico

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2022

Enunciado

Pre-escolar, três anos e nove meses, sexo feminino, vem apresentando dores ósseas difusas iniciadas há 3 meses, que não melhoram com o uso de analgésicos comuns, associadas a febre baixa intermitente, cefaleia, vômitos frequentes, anorexia, perda ponderal de quatro quilos e irritação com prejuízo do sono. A partir do resultado do hemograma, foi diagnosticada "anemia discreta" tendo sido prescrito sulfato ferroso por seis meses. Há um mês, a mãe notou palidez que vem se acentuando. Exame físico: irritabilidade, fácies de sofrimento, dificuldade para deambular pela dor, hipocorada +/4+, adenomegalias cervicais, axilares e inguinais móveis, fibroelásticas, não coalescentes, medindo de 0,5 a 1 c de diâmetro, fígado palpável a 5 cm do rebordo costal direito, baço a 4 cm do rebordo costa esquerdo, petéquias em membros inferiores e sopro sistólico +/4+ pancardíaco, sem irradiação. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Neuroblastoma.
  2. B) Febre Reumática.
  3. C) Artrite idiopática Juvenil.
  4. D) Leucemia linfoide aguda.

Pérola Clínica

Criança com dores ósseas, febre, palidez, hepatoesplenomegalia e petéquias → forte suspeita de Leucemia Linfoide Aguda.

Resumo-Chave

O quadro clínico de uma criança com dores ósseas difusas, febre, palidez progressiva, perda ponderal, irritabilidade, associado a adenomegalias, hepatoesplenomegalia e petéquias, é altamente sugestivo de Leucemia Linfoide Aguda (LLA), uma emergência oncológica pediátrica que requer investigação imediata.

Contexto Educacional

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é o câncer mais comum na infância, representando cerca de 25% de todos os cânceres pediátricos. É caracterizada pela proliferação descontrolada de linfoblastos imaturos na medula óssea, que suprimem a produção de células sanguíneas normais e podem infiltrar outros órgãos. O pico de incidência ocorre entre 2 e 5 anos de idade, e o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Os sintomas da LLA são inespecíficos e podem mimetizar doenças benignas, o que torna o diagnóstico um desafio. A fisiopatologia envolve a substituição da medula óssea normal por células leucêmicas, levando a anemia (palidez, fadiga), trombocitopenia (petéquias, sangramentos) e leucopenia ou leucocitose (febre, infecções). A infiltração de órgãos extramedulares causa adenomegalias, hepatoesplenomegalia, dores ósseas e sintomas neurológicos (cefaleia, vômitos). A suspeita deve surgir diante de um quadro arrastado de sintomas sistêmicos e achados no exame físico. O diagnóstico definitivo é feito por mielograma, que revela a presença de mais de 20% de blastos na medula óssea. O tratamento da LLA é complexo e envolve quimioterapia intensiva, com altas taxas de cura, especialmente em crianças. A identificação rápida dos sinais de alerta e a investigação adequada são cruciais para iniciar o tratamento em tempo hábil e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Leucemia Linfoide Aguda em crianças?

Os sintomas incluem palidez, fadiga, febre, dores ósseas ou articulares, sangramentos (petéquias, equimoses), adenomegalias, hepatoesplenomegalia e perda de peso, refletindo a falência da medula óssea e infiltração de órgãos.

Por que a Leucemia Linfoide Aguda causa dores ósseas?

As dores ósseas ocorrem devido à infiltração da medula óssea por células leucêmicas, que se proliferam e aumentam a pressão dentro dos ossos, além de poderem infiltrar o periósteo, causando dor intensa e difusa.

Como diferenciar LLA de outras condições com sintomas semelhantes?

A LLA deve ser diferenciada de infecções virais, artrite idiopática juvenil e anemia ferropriva. A combinação de sintomas sistêmicos, citopenias (anemia, trombocitopenia) e organomegalias sugere LLA, exigindo hemograma completo e mielograma para confirmação.

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