Leucemia Linfoide Aguda Pediátrica: Sinais e Diagnóstico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Menino de 5 anos apresenta adinamia, fadiga, dores em membros inferiores e nas articulações dos joelhos, febre intermitente e equimoses pelo corpo, após traumas leves, há 20 dias. Ao exame físico: palidez cutâneo mucosa ++/4+, linfonodomegalias em região cervical bilateralmente, baço palpável a 6,5 cm do rebordo costal esquerdo, fígado palpável a 3,5cm do rebordo costal direito, equimoses difusas em membros inferiores e dorso. AP: em uso de corticosteroide oral há 1 semana, com melhora das dores em membros inferiores. Aos exames laboratoriais: hematimetria 2800 000/ mm3 , Ht 22,5%; Hb 7,4g/dL, VCM 78,3fL, CHCM 32,8g/dL, HCM 25,7pg, leucócitos 8000/mm3 (linfócitos 88%, segmentados 12%), plaquetas 25000/mm³. A principal hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) aplasia medular.
  2. B) artrite reumatoide.
  3. C) leucemia linfoide aguda.
  4. D) mononucleose infecciosa.

Pérola Clínica

Criança com palidez, febre, equimoses, hepatoesplenomegalia, linfonodomegalia e pancitopenia (anemia, trombocitopenia, leucócitos normais/aumentados com linfocitose) → suspeitar LLA.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um menino de 5 anos com adinamia, fadiga, dores ósseas, febre, equimoses, palidez, linfonodomegalia e hepatoesplenomegalia, associado a exames laboratoriais que mostram anemia, trombocitopenia e leucocitose com predomínio de linfócitos, é altamente sugestivo de leucemia linfoide aguda (LLA), a neoplasia mais comum na infância.

Contexto Educacional

A leucemia linfoide aguda (LLA) é a neoplasia mais comum na infância, representando cerca de 25% de todos os cânceres pediátricos. É caracterizada pela proliferação descontrolada de linfoblastos imaturos na medula óssea, que suprimem a produção de células sanguíneas normais e podem infiltrar outros órgãos. O pico de incidência ocorre entre 2 e 5 anos de idade, o que se encaixa perfeitamente no caso clínico apresentado. O quadro clínico da LLA é frequentemente inespecífico no início, o que pode atrasar o diagnóstico. Os sintomas resultam da falência medular (anemia, trombocitopenia e neutropenia) e da infiltração de órgãos. A anemia causa palidez e fadiga; a trombocitopenia leva a equimoses e sangramentos; a neutropenia predispõe a infecções e febre. Dores ósseas e articulares são comuns devido à infiltração da medula óssea e periósteo. Hepatoesplenomegalia e linfonodomegalia são achados frequentes ao exame físico, indicando a disseminação da doença. O diagnóstico é fortemente sugerido pelo hemograma, que tipicamente mostra anemia, trombocitopenia e leucócitos que podem ser normais, aumentados ou diminuídos, mas com a presença de blastos ou um desvio à esquerda com linfocitose. A confirmação é feita por mielograma (aspirado e biópsia de medula óssea) com imunofenotipagem, citogenética e biologia molecular para classificar o subtipo de LLA e guiar o tratamento. O tratamento é complexo e envolve quimioterapia intensiva, com altas taxas de cura, especialmente em crianças.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas iniciais mais comuns da leucemia linfoide aguda em crianças?

Os sintomas iniciais da LLA são inespecíficos e podem incluir fadiga, palidez (anemia), febre (infecções ou doença), dores ósseas ou articulares, equimoses ou petéquias (trombocitopenia) e linfonodomegalia.

Como os exames laboratoriais auxiliam no diagnóstico da LLA?

O hemograma tipicamente revela pancitopenia (anemia, trombocitopenia) e leucócitos que podem ser normais, aumentados ou diminuídos, mas frequentemente com a presença de blastos ou um predomínio de linfócitos imaturos. A confirmação diagnóstica é feita por mielograma com imunofenotipagem.

Por que a hepatoesplenomegalia e linfonodomegalia são comuns na LLA?

A hepatoesplenomegalia e a linfonodomegalia ocorrem devido à infiltração de células leucêmicas nesses órgãos. As células malignas se proliferam na medula óssea e se disseminam para o sistema reticuloendotelial, causando o aumento do fígado, baço e linfonodos.

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