Leucemia LGL-T vs Síndrome de Felty na Artrite Reumatoide

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 56 anos, com diagnóstico de artrite reumatoide iniciada há um ano desenvolve esplenomegalia e neutropenia. Esfregaço periférico: linfócitos granulares. A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Mielodisplasia por deleção do 5q.
  2. B) Síndrome de Felty.
  3. C) Linfoma de Hodgkin tipo esclerose nodular.
  4. D) Leucemia linfocítica granular de grandes células T.

Pérola Clínica

AR + Neutropenia + Esplenomegalia + Linfócitos Granulares = Leucemia LGL-T.

Resumo-Chave

Embora a Síndrome de Felty compartilhe a tríade clínica, a presença de linfocitose granular no esfregaço periférico é o marcador distintivo da Leucemia Linfocítica Granular de Grandes Células T (LGL-T).

Contexto Educacional

A associação entre Artrite Reumatoide (AR) e distúrbios hematológicos é bem documentada. A Síndrome de Felty é a complicação clássica descrita em AR de longa data e soropositiva. No entanto, o reconhecimento da Leucemia LGL-T como uma entidade distinta que compartilha o mesmo fenótipo clínico mudou a abordagem diagnóstica. O achado de 'linfócitos granulares' no esfregaço periférico é a dica definitiva em questões de prova para marcar LGL-T em vez de Felty. A fisiopatologia envolve a sobrevivência anormal de clones de células T citotóxicas que infiltram a medula óssea e o baço, levando à citopenia. O diagnóstico é confirmado por citometria de fluxo e estudo de clonalidade do receptor de célula T (TCR).

Perguntas Frequentes

O que é a Leucemia Linfocítica Granular de Grandes Células T (LGL-T)?

A LGL-T é uma neoplasia clonal de células T citotóxicas (CD3+, CD8+, CD57+) caracterizada por linfocitose persistente de grandes linfócitos granulares no sangue periférico. Cerca de 25-30% dos pacientes com LGL-T possuem Artrite Reumatoide associada. Clinicamente, manifesta-se com neutropenia grave, infecções recorrentes e esplenomegalia, mimetizando a Síndrome de Felty, mas distinguindo-se pela clonalidade e morfologia celular.

Como diferenciar LGL-T da Síndrome de Felty?

Ambas apresentam a tríade: Artrite Reumatoide, esplenomegalia e neutropenia. A principal diferença reside no esfregaço de sangue periférico e na imunofenotipagem. Na Síndrome de Felty, a neutropenia é geralmente mediada por imunocomplexos e sequestro esplênico, sem linfocitose clonal. Na LGL-T, há uma expansão clonal de linfócitos T com grânulos azurofílicos citoplasmáticos. Muitos especialistas consideram que Felty e LGL-T fazem parte de um mesmo espectro biológico de doenças linfoproliferativas crônicas na AR.

Qual o tratamento para neutropenia na LGL-T associada à AR?

O tratamento visa reduzir a carga clonal e melhorar a neutropenia para prevenir infecções. As opções de primeira linha incluem agentes imunossupressores como Metotrexato (que também trata a AR), Ciclofosfamida ou Ciclosporina. O uso de G-CSF (fator estimulador de colônias de granulócitos) pode ser necessário em casos de neutropenia febril ou infecções graves, embora possa exacerbar a artrite em alguns pacientes.

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