UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Homem, 82 anos de idade, assintomático, apresenta hemograma com 154.000 linfócitos maduros/mm³, Hb de 11,2 g/dL (padrão normocítico e normocrômico) e 210.000 plaquetas/mm³. Exame físico sem alterações. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta mais adequada para confirmá-la?
Idoso assintomático + linfocitose (>5.000 linfócitos maduros/mm³) persistente → LLC; confirmar com imunofenotipagem.
A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é a leucemia mais comum em adultos, frequentemente diagnosticada em idosos assintomáticos por linfocitose persistente no hemograma. A presença de linfócitos maduros e a ausência de outras alterações significativas no exame físico direcionam para LLC. A confirmação diagnóstica é feita pela imunofenotipagem de sangue periférico, que identifica os marcadores clonais dos linfócitos B.
A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é a leucemia mais comum em adultos no mundo ocidental, com uma incidência que aumenta com a idade, sendo mais frequente em idosos. Caracteriza-se pela proliferação clonal de linfócitos B maduros no sangue periférico, medula óssea e órgãos linfoides. Muitos pacientes são diagnosticados incidentalmente, como o caso apresentado, devido a uma linfocitose persistente detectada em um hemograma de rotina, sem sintomas aparentes. A fisiopatologia da LLC envolve a acumulação de linfócitos B monoclonais que são funcionalmente incompetentes e resistentes à apoptose. O diagnóstico é fortemente sugerido pela presença de linfocitose persistente (>5.000 linfócitos/mm³) por mais de 3 meses, com a maioria dos linfócitos sendo morfologicamente maduros. O exame físico pode ser normal nos estágios iniciais, mas pode revelar linfonodomegalia, hepatoesplenomegalia em fases mais avançadas. A confirmação diagnóstica da LLC é realizada pela imunofenotipagem de sangue periférico por citometria de fluxo. Este exame identifica a expressão de marcadores específicos na superfície dos linfócitos B clonais, como CD5, CD19, CD20 (fraco) e CD23. O mielograma não é necessário para o diagnóstico de rotina da LLC, sendo reservado para casos atípicos ou para avaliar citopenias inexplicáveis. O tratamento é geralmente iniciado apenas em pacientes sintomáticos ou com doença progressiva, seguindo a estratégia de "observar e esperar" para aqueles assintomáticos.
A LLC é caracterizada por linfocitose persistente (>5.000 linfócitos/mm³) no sangue periférico, com predominância de linfócitos maduros. Pode haver anemia e trombocitopenia em estágios mais avançados, mas no início, como no caso, as plaquetas podem ser normais.
A imunofenotipagem por citometria de fluxo no sangue periférico é crucial para confirmar a clonalidade dos linfócitos B e identificar os marcadores específicos da LLC (CD5+, CD19+, CD20+ fraco, CD23+). Isso diferencia a LLC de outras causas de linfocitose.
Pacientes com LLC assintomática, como o descrito, geralmente não necessitam de tratamento imediato, adotando-se a conduta de "observar e esperar" (watch and wait). O tratamento é indicado quando há progressão da doença, sintomas constitucionais, anemia ou trombocitopenia significativas, ou linfonodomegalia volumosa.
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