Leucemia Linfocítica Crônica: Diagnóstico e Manejo Inicial

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Homem, 79 anos de idade, apresenta linfocitose nos exames de rotina solicitados em consulta com o seu geriatra. Exames laboratoriais: Hb =11,1 g/dL; VCM = 90 fL; Leucócitos = 35.500/mL (32.100/mL linfócitos) e Plaquetas 108.000/mL. Exame físico: linfonodomegalia cervical bilateral e esplenomegalia, com baço a 3 cm do rebordo costal esquerdo. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a melhor conduta nesse momento?

Alternativas

  1. A) Leucemia linfocítica aguda e imunofenotipagem de sangue periférico.
  2. B) Leucemia linfocítica crônica e imunofenotipagem de medula óssea.
  3. C) Leucemia linfocítica crônica e imunofenotipagem de sangue periférico.
  4. D) Linfoma leucemizado e imunofenotipagem de medula óssea.
  5. E) Linfoma leucemizado e biópsia de linfonodo cervical e de medula óssea.

Pérola Clínica

LLC: linfocitose >5.000/mL + linfonodomegalia/esplenomegalia → imunofenotipagem sangue periférico.

Resumo-Chave

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é a leucemia mais comum em idosos, caracterizada por linfocitose persistente, frequentemente associada a linfonodomegalia e esplenomegalia. O diagnóstico é confirmado pela imunofenotipagem do sangue periférico, que identifica linfócitos B monoclonais com expressão de CD5, CD19, CD20 (fraco) e CD23.

Contexto Educacional

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é a leucemia mais comum em adultos no ocidente, com uma incidência que aumenta com a idade, sendo mais prevalente em idosos. Caracteriza-se pela proliferação e acúmulo de linfócitos B monoclonais no sangue periférico, medula óssea, linfonodos e baço. A importância clínica reside na sua apresentação heterogênea, desde casos assintomáticos detectados em exames de rotina até formas agressivas com sintomas B e citopenias. A fisiopatologia envolve a expansão de um clone de linfócitos B maduros que expressam marcadores como CD5, CD19, CD20 (fraco) e CD23. O diagnóstico é estabelecido pela presença de linfocitose persistente (>5.000 linfócitos B/mm³ por mais de 3 meses) e confirmado pela imunofenotipagem de sangue periférico, que demonstra a monoclonalidade e o perfil de expressão de marcadores. A suspeita deve surgir em pacientes com linfocitose inexplicada, linfonodomegalia ou esplenomegalia. O tratamento da LLC é individualizado e depende do estadiamento (Rai ou Binet) e da presença de sintomas. Pacientes assintomáticos em estágios iniciais geralmente são acompanhados com 'watch and wait'. A quimioterapia, imunoquimioterapia ou terapias-alvo (inibidores de BTK, BCL-2) são indicadas para doença sintomática, progressiva ou com citopenias significativas. O prognóstico varia amplamente, sendo influenciado por fatores genéticos e moleculares.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Leucemia Linfocítica Crônica (LLC)?

O diagnóstico de LLC requer uma linfocitose monoclonal persistente (>5.000 linfócitos B/mm³ por mais de 3 meses) no sangue periférico, com imunofenotipagem característica (CD5+, CD19+, CD20 fraco+, CD23+).

Por que a imunofenotipagem de sangue periférico é preferível à biópsia de medula óssea no diagnóstico inicial da LLC?

A imunofenotipagem de sangue periférico é um método menos invasivo e geralmente suficiente para confirmar o diagnóstico de LLC, identificando a monoclonalidade dos linfócitos B. A biópsia de medula óssea é reservada para estadiamento, avaliação de citopenias inexplicadas ou suspeita de transformação.

Quais são os principais achados clínicos e laboratoriais que sugerem LLC em um paciente idoso?

Em pacientes idosos, a LLC deve ser suspeitada na presença de linfocitose persistente, frequentemente acompanhada de linfonodomegalia (cervical, axilar, inguinal), esplenomegalia e, em casos mais avançados, citopenias como anemia e trombocitopenia.

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