Leucemia Linfocítica Crônica: Achados no Hemograma e Diagnóstico

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de 67 anos de idade procura o médico para a realização de check-up. Ele não apresentava queixas, era um indivíduo ativo (atividade física 4 vezes por semana), negava etilismo, negava tabagismo, negava possuir comorbidades. O exame físico não apresentava particularidades. Nos exames laboratoriais solicitados, apresentou o seguinte resultado de hemograma: hematócrito = 39%; hemoglobina = 13,9 g/dl; leucócitos = 37.000/mm³; neutrófilos = 24%; linfócitos = 70%; eosinófilos = 1%; monócitos = 5%; plaquetas = 250.000. Para o paciente acima, a hipótese mais provável é:

Alternativas

  1. A) Leucemia linfoblástica aguda.
  2. B) Leucemia linfocítica crônica.
  3. C) Síndrome mielodisplásica.
  4. D) Trombocitemia essencial.
  5. E) Leucemia mieloide crônica.

Pérola Clínica

Linfocitose >5.000/mm³ persistente em idoso assintomático + hemoglobina e plaquetas normais → LLC.

Resumo-Chave

Este caso é clássico de Leucemia Linfocítica Crônica (LLC), onde um paciente idoso e assintomático apresenta uma linfocitose acentuada no hemograma de rotina, com as outras séries sanguíneas (hemoglobina e plaquetas) dentro da normalidade, indicando uma doença crônica e indolente.

Contexto Educacional

A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) é uma das neoplasias hematológicas mais comuns em adultos, especialmente em idosos, com uma idade média de diagnóstico em torno dos 70 anos. Caracteriza-se pela proliferação e acúmulo de linfócitos B monoclonais maduros no sangue periférico, medula óssea e órgãos linfoides. Sua importância reside na alta prevalência e no manejo diferenciado, muitas vezes sem necessidade de tratamento imediato. O diagnóstico da LLC é frequentemente incidental, como no caso apresentado, onde um paciente idoso e assintomático realiza um check-up e revela uma linfocitose acentuada (>5.000/mm³). A fisiopatologia envolve a falha na apoptose dos linfócitos B, levando ao seu acúmulo. A suspeita é levantada pelo hemograma, que mostra linfócitos maduros em grande número, e confirmada por imunofenotipagem por citometria de fluxo, que detecta a clonalidade B (CD5+, CD19+, CD20 fraco+, CD23+). O tratamento da LLC é guiado pelo estadiamento (Rai ou Binet) e pela presença de sintomas. Muitos pacientes com doença de baixo risco e assintomáticos são submetidos à conduta de "observar e esperar" (watch and wait), sem intervenção terapêutica imediata. O tratamento é reservado para pacientes com doença progressiva, sintomas B, citopenias significativas ou linfadenopatia volumosa, utilizando quimioterapia, imunoterapia ou inibidores de tirosina quinase.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Leucemia Linfocítica Crônica (LLC)?

O critério principal é a presença de linfocitose monoclonal B persistente no sangue periférico (>5.000 linfócitos B clonais/mm³) por pelo menos 3 meses, confirmada por citometria de fluxo.

Qual a importância da idade e do estado assintomático no diagnóstico de LLC?

A LLC é mais comum em idosos e frequentemente descoberta incidentalmente em exames de rotina, sem queixas do paciente, o que a diferencia de leucemias agudas que geralmente causam sintomas importantes.

Como diferenciar LLC de outras causas de linfocitose, como infecções virais?

A linfocitose na LLC é persistente, monoclonal e composta por linfócitos maduros, enquanto em infecções virais é geralmente transitória, policlonal e pode apresentar linfócitos atípicos. A citometria de fluxo é essencial para a diferenciação.

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