UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020
Pré-escolar, três anos, é atendido no ambulatório de pediatria geral com queixas de febre e dor nas pernas. A febre tem sido intermitente, tendo chegado a 38,6°C nos últimos cinco dias e a dor nas pernas o tem acordado à noite. As vacinas estão atualizadas e o paciente não tem comorbidades. Mãe relata que recentemente surgiram algumas manchas arroxeadas nos braços e pernas, porém, relaciona a trauma associado a atividades. Refere infecção viral prévia, há aproximadamente três semanas, com resolução espontânea. Sinais vitais: Tax. = 38,2°C, FC = 120 batimentos/minuto, FR = 24 irpm, PA = 100x60mmHg e saturação de oxigênio de 100% em ar ambiente. Adenomegalia cervical inexpressiva. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Abdômen sem hepatoesplenomegalia. Presença de equimoses discretamente dolorosas em áreas expostas e não expostas. Exame neurológico sem alterações. Exames laboratoriais: 1.500 leucócitos/mm³ (5% de eosinófilos, 5% neutrófilos, 85% linfócitos, 5% monócitos); hemoglobina = 8,5 g/dL, hematócrito = 24%, reticulócitos = 0,4%, plaquetas = 75.000/mm³. O diagnóstico mais provável para esse paciente é de:
Criança com febre, dor óssea noturna, equimoses e pancitopenia → suspeitar de Leucemia Linfocítica Aguda.
A Leucemia Linfocítica Aguda (LLA) em crianças frequentemente se manifesta com sintomas inespecíficos como febre, dor óssea (especialmente noturna), e sinais de falência medular como anemia (palidez, fadiga), trombocitopenia (equimoses, petéquias) e leucopenia (infecções). A presença de citopenias em um hemograma é um forte indício.
A Leucemia Linfocítica Aguda (LLA) é a neoplasia mais comum na infância, representando cerca de 25% de todos os cânceres pediátricos. Sua incidência é maior entre 2 e 5 anos de idade. É crucial para o residente reconhecer os sinais e sintomas precoces para um diagnóstico e tratamento oportunos, que impactam diretamente o prognóstico. A fisiopatologia envolve a proliferação descontrolada de linfoblastos na medula óssea, que suprime a hematopoiese normal, levando a citopenias. Os sintomas são inespecíficos e podem mimetizar infecções virais: febre, palidez, fadiga (anemia), sangramentos (trombocitopenia) e infecções recorrentes (leucopenia, apesar de a contagem total de leucócitos poder ser normal, alta ou baixa). Dor óssea, adenomegalia e hepatoesplenomegalia também são comuns. O diagnóstico é feito pelo hemograma (citopenias, blastos circulantes) e confirmado por mielograma com imunofenotipagem. O tratamento da LLA é complexo e envolve quimioterapia em múltiplas fases (indução, consolidação, manutenção), podendo incluir radioterapia e transplante de medula óssea em casos específicos. O prognóstico melhorou significativamente nas últimas décadas, com taxas de cura elevadas. A atenção aos detalhes do hemograma e à persistência dos sintomas é fundamental para o diagnóstico precoce e encaminhamento ao especialista.
Os principais sinais incluem febre persistente, dor óssea (especialmente noturna), palidez, fadiga, equimoses ou petéquias espontâneas, e infecções recorrentes. Adenomegalia e hepatoesplenomegalia também podem estar presentes.
O hemograma pode revelar citopenias (anemia, leucopenia, trombocitopenia) ou leucocitose com presença de blastos circulantes. A combinação de citopenias inexplicadas é um forte indicativo e deve levar à investigação com mielograma.
A dor óssea noturna, que acorda a criança, é um sintoma importante que sugere infiltração medular e deve levantar suspeita para LLA. Equimoses e petéquias espontâneas indicam trombocitopenia, outro sinal de falência medular, diferenciando de traumas comuns.
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