Leucemia Linfocítica Aguda em Crianças: Diagnóstico

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2024

Enunciado

Pré-escolar, três anos, é atendido no ambulatório de pediatria geral com queixas de febre e dor nas pernas. A febre tem sido intermitente, tendo chegado a 38,6°C nos últimos cinco dias e a dor nas pernas o tem acordado à noite. As vacinas estão atualizadas e o paciente não tem comorbidades. Mãe relata que recentemente surgiram algumas manchas arroxeadas nos braços e pernas, porém, relaciona a trauma associado a atividades. Refere infecção viral prévia há aproximadamente três semanas, com resolução espontânea. Sinais vitais: Tax. 38,2°C, FC 120 batimentos/minuto, FR 24 irpm, PA 100 x 60 mmHg e saturação de oxigênio de 100% em ar ambiente. Adenomegalia cervical inexpressiva. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Abdome sem hepatoesplenomegalia. Presença de equimoses discretamente dolorosas em áreas expostas e não expostas. Exame neurológico sem alterações. Exames laboratoriais: 1.500 leucócitos/mm³ (5% de eosinófilos, 5% neutrófilos, 85% linfócitos, 5% monócitos); hemoglobina 8,5 g/dL, hematócrito 24%, reticulócitos 0,4%, plaquetas 75.000/mm³. O diagnóstico mais provável para esse paciente é de:

Alternativas

  1. A) anemia aplástica.
  2. B) leucemia linfocítica aguda
  3. C) leucemia linfocítica crônica
  4. D) mononucleose infecciosa
  5. E) imunossupressão pós-viral

Pérola Clínica

Criança com febre, dor óssea/articular, equimoses, pancitopenia (anemia, leucopenia, trombocitopenia) → suspeitar LLA.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre intermitente, dor nas pernas (óssea/articular), equimoses e pancitopenia (anemia, leucopenia, trombocitopenia) com linfocitose relativa em um pré-escolar é altamente sugestivo de Leucemia Linfocítica Aguda (LLA). A LLA é o câncer mais comum na infância e requer diagnóstico e tratamento imediatos.

Contexto Educacional

A Leucemia Linfocítica Aguda (LLA) é a neoplasia mais comum na infância, representando cerca de 25% de todos os cânceres pediátricos. Seu diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e a melhora do prognóstico. O quadro clínico pode ser insidioso e inespecífico, mimetizando outras condições pediátricas mais benignas, o que exige alta suspeição clínica. As manifestações clínicas da LLA resultam da proliferação descontrolada de blastos na medula óssea, que suprime a produção de células sanguíneas normais. Isso leva a anemia (palidez, fadiga), trombocitopenia (equimoses, petéquias, sangramentos) e leucopenia (febre, infecções). Dores ósseas ou articulares, como a dor nas pernas que acorda a criança à noite, são queixas comuns devido à infiltração medular. A presença de adenomegalia e hepatoesplenomegalia também pode ocorrer. O diagnóstico é fortemente sugerido por alterações no hemograma, como pancitopenia (anemia, leucopenia, trombocitopenia) e linfocitose relativa, como no caso apresentado. A confirmação é feita por mielograma, que revela a presença de mais de 20% de blastos na medula óssea. O tratamento é complexo e envolve quimioterapia intensiva, com altas taxas de cura, especialmente em crianças. A atenção aos detalhes do histórico e exame físico, juntamente com a interpretação correta dos exames laboratoriais, é crucial para o diagnóstico oportuno.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de Leucemia Linfocítica Aguda em crianças?

Os principais sinais e sintomas incluem febre persistente ou intermitente, palidez (anemia), fadiga, sangramentos (equimoses, petéquias, epistaxe) devido à trombocitopenia, dores ósseas ou articulares, linfonodomegalia, hepatoesplenomegalia e infecções recorrentes devido à leucopenia.

Quais alterações laboratoriais são sugestivas de LLA no hemograma?

O hemograma tipicamente mostra pancitopenia (anemia, leucopenia e trombocitopenia). A leucopenia pode ser acompanhada de linfocitose relativa, e a presença de blastos no sangue periférico é um achado crucial, embora nem sempre presente inicialmente.

Como diferenciar LLA de outras causas de pancitopenia em crianças?

A diferenciação envolve a análise do mielograma (aspirado e biópsia de medula óssea) para identificar a presença e o tipo de blastos, além de exames complementares como imunofenotipagem, citogenética e biologia molecular. A anemia aplástica, por exemplo, cursa com medula óssea hipocelular, enquanto na LLA é hipercelular com blastos.

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