USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Menino de 8 anos, previamente hígido, apresenta quadro de dor intensa nos joelhos e tornozelos, que o impede de caminhar. Refere que o quadro iniciou há 30 dias, com piora progressiva. A dor é pior no período noturno e o acorda algumas vezes durante a noite. Nega traumas ou infecções recentes, Perdeu 2 quilos no período. Ao exame físico: regular estado geral, fácies de dor, adenomegalia cervical e inguinal com gânglios de até 2 cm, bilaterais, não coalescentes, de consistência fibroelástica. Dor intensa e limitação à movimentação de joelhos e tornozelos, sem edema ou outras alterações. Exames complementares iniciais: Hb; 10 g/dL, GB: 3.200/mm³ (20% neutrófilos, 80% linfócitos), plaquetas: 240.000/mm³, VHS 50 mm/1 hora, proteina C reativa 7 mg/dl (VR: abaixo de 0,5 mg/dl). Com relação à principal hipótese diagnóstica, qual o exame a ser solicitado nesse momento?
Dor óssea noturna + citopenias + adenomegalia em criança → Alta suspeita de leucemia, indicar mielograma.
A dor óssea em crianças, especialmente se noturna, progressiva e associada a sintomas sistêmicos como perda de peso, adenomegalia e alterações hematológicas (anemia, leucopenia), deve levantar a suspeita de malignidade hematológica, como a leucemia. O mielograma é essencial para o diagnóstico definitivo.
A leucemia aguda é a neoplasia mais comum na infância, sendo a Leucemia Linfoide Aguda (LLA) a mais frequente. O diagnóstico precoce é crucial para o sucesso do tratamento. A apresentação clínica pode ser variada e inespecífica, o que torna o reconhecimento dos sinais de alerta fundamental para o pediatra e o residente. Sintomas como dor óssea, febre, palidez, fadiga, sangramentos e linfonodomegalias devem levantar a suspeita. A dor óssea, muitas vezes noturna e intensa, é um sintoma comum devido à infiltração da medula óssea por células leucêmicas. A associação com citopenias (anemia, leucopenia, trombocitopenia) ou citoses (leucocitose com linfocitose atípica) no hemograma, juntamente com VHS e PCR elevados, reforça a hipótese. O mielograma é o exame confirmatório, permitindo a identificação e classificação das células blásticas. O manejo inicial envolve a estabilização do paciente e a confirmação diagnóstica rápida. Após o diagnóstico, o tratamento é complexo e envolve quimioterapia intensiva, com o objetivo de induzir a remissão e prevenir recaídas. O prognóstico melhorou significativamente nas últimas décadas, mas a doença ainda representa um desafio clínico importante.
Sinais de alerta incluem dor óssea (especialmente noturna), febre inexplicável, perda de peso, fadiga, palidez, sangramentos e adenomegalia ou hepatoesplenomegalia.
O mielograma é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de leucemia, permitindo a análise morfológica, imunofenotípica e citogenética das células da medula óssea para confirmar a doença e classificá-la.
A dor óssea da leucemia frequentemente é noturna, progressiva e associada a sintomas sistêmicos e alterações no hemograma, diferenciando-a de dores de crescimento ou condições benignas.
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