USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 32 anos de idade, natural e procedente de São Paulo, procura o serviço de emergência com queixa de adinamia há 7 dias e sangramento vaginal abundante há 2 dias. Nega comorbidades, tabagismo, etilismo, uso de medicamentos ou suplementos. Ao exame físico, apresenta FC de 100 bpm, PA de 100x50 mmHg, temperatura axilar de 38 °C; bom estado geral, descorada 2+/4+, anictérica, tem petéquias na mucosa jugal e nos membros inferiores; sem adenomegalias ou outros achados.Exames laboratoriais:Hb: 6,2 g/dLVCM: 84,7 fLHCM: 29,7 pgRDW: 18%Reticulócitos: 23.000/mm³Leucócitos: 1.100/mm³Neutrófilos: 440/mm³Linfócitos 850/mm³Monócitos: 40/mm³Eosinófilos: 10/mm³Plaquetas: 8.000/mm³Hematoscopia com poiquilocitose e esferócitos.Assinale a alternativa que indica a mais provável hipótese diagnóstica e a correta condução clínica desta paciente.
Pancitopenia grave + febre + sangramento + petéquias + esferócitos → Leucemia aguda = Suporte + ATB + Estudo medular.
A apresentação de pancitopenia grave com febre, sangramento e petéquias, além de anemia com esferócitos, é altamente sugestiva de leucemia aguda. O manejo inicial foca em suporte transfusional para anemia e plaquetopenia, antibioticoterapia para neutropenia febril e investigação medular para confirmação diagnóstica.
A leucemia aguda é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação descontrolada de células blásticas na medula óssea, resultando em falência medular e pancitopenia. É uma emergência oncológica que requer diagnóstico e tratamento rápidos. A epidemiologia varia com o tipo de leucemia (mieloide ou linfoide), mas pode afetar todas as idades. A importância clínica reside na alta morbimortalidade se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve mutações genéticas que levam à interrupção da maturação celular e proliferação de blastos. O diagnóstico é suspeitado por hemograma com pancitopenia, presença de blastos no sangue periférico (nem sempre) e confirmado por mielograma e biópsia de medula óssea. Deve-se suspeitar em pacientes com sintomas inespecíficos como fadiga, febre, sangramentos, infecções e achados de pancitopenia. O tratamento inicial é de suporte, incluindo transfusões de hemácias e plaquetas, antibioticoterapia para neutropenia febril e, em alguns casos, bloqueio hormonal para controle de sangramento uterino. O tratamento definitivo envolve quimioterapia intensiva, e o prognóstico depende do subtipo de leucemia, idade do paciente e resposta ao tratamento. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para a sobrevida.
Sinais de alerta incluem pancitopenia (anemia, leucopenia, trombocitopenia), febre, sangramentos, petéquias, fadiga e infecções recorrentes.
A hematoscopia pode revelar blastos (células imaturas), poiquilocitose, esferócitos ou outras alterações morfológicas que direcionam a suspeita e a necessidade de estudo medular.
A conduta inicial envolve suporte transfusional (hemácias e plaquetas), antibioticoterapia de amplo espectro para neutropenia febril e investigação diagnóstica com mielograma e biópsia de medula óssea.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo