Lesões do Plexo Braquial: Anatomia e Reconstrução Nervosa

SMS Foz do Iguaçu - Secretaria Municipal de Saúde (PR) — Prova 2024

Enunciado

O principal desafio dos cirurgiões que lidam com as lesões do plexo braquial é a reconstituição da complicada distribuição desses nervos. Nesse sentido, o conhecimento da anatomia do plexo braquial é fundamental para uma prática de excelência. A partir disso, analise atentamente os itens a seguir.I. As lesões que ocorrem cranialmente em relação à emergência das raízes nervosas são denominadas intraforaminais ou avulsão da raiz. Essas lesões não têm prognóstico para reconstrução microcirúrgica. Para que se possa reconstruir os nervos constituídos por essa raiz danificada, deve-se sacrificar um nervo normal para funcionar como doador. A esse processo denominase neurotizaçãoII. O nervo toracodorsal é responsável pela inervação das digitações do músculo serrátil anterior e emerge próximo aos forames vertebrais de C5, C6 e C7.III. O nervo supraescapular origina-se logo após a fusão de C5 e C6, abaixo do omo-hióideo, aproximadamente 2 cm acima da clavícula. Como a maior parte dos casos de lesões do plexo ocorre por mecanismo de tração, há deslocamento de todas as estruturas no sentido caudal; frequentemente o nervo supraescapular é encontrado sob a clavícula.IV. As neurorrafias terminoterminais são procedimentos em que o epineuro externo é aberto para a retirada de fibroses intraneurais. Nas lesões do plexo, esses procedimentos são realizados quando ocorrem lesões parciais com neuromas em continuidade e que tenham condução distal após o estímulo elétrico apropriado.Estão corretos os itens: 

Alternativas

  1. A) I e II, apenas.
  2. B) II e III, apenas.
  3. C) I, III e IV, apenas.
  4. D) I, II, III e IV.

Pérola Clínica

Lesões pré-ganglionares (avulsão de raiz) não têm prognóstico para reconstrução direta, exigindo neurotização (transferência nervosa).

Resumo-Chave

Lesões por avulsão de raiz (pré-ganglionares) do plexo braquial são irrecuperáveis por neurorrafia direta, necessitando de neurotização. O nervo supraescapular origina-se de C5-C6 e é frequentemente encontrado sob a clavícula em lesões por tração. Neurorrafias terminoterminais são para lesões parciais com neuromas em continuidade e condução distal.

Contexto Educacional

As lesões do plexo braquial são eventos traumáticos que afetam os nervos responsáveis pela inervação do membro superior, resultando em graus variados de perda funcional e sensitiva. A complexidade anatômica do plexo, formado pelas raízes nervosas de C5 a T1, exige um conhecimento aprofundado para o diagnóstico preciso e a escolha da estratégia cirúrgica mais adequada. A compreensão das diferentes classificações das lesões e das opções de reconstrução é fundamental para o cirurgião. As lesões podem ser pré-ganglionares (avulsão da raiz) ou pós-ganglionares. As avulsões de raiz, que ocorrem cranialmente à emergência das raízes nervosas, são as mais graves, pois não há cotos proximais para reparo direto. Nesses casos, a neurotização, que envolve a transferência de um nervo doador funcional para inervar o nervo lesado, torna-se a principal opção para tentar restaurar alguma função. Em contraste, as lesões pós-ganglionares podem ser tratadas com neurorrafias (sutura direta do nervo) ou enxertos nervosos. O nervo supraescapular, que se origina de C5 e C6, é um alvo comum para neurotização devido à sua importância na função do ombro. Em lesões por tração, ele pode ser deslocado caudalmente, sendo encontrado sob a clavícula. As neurorrafias terminoterminais são procedimentos específicos para lesões parciais com neuromas em continuidade, onde a remoção da fibrose intraneural pode otimizar a condução nervosa. A escolha da técnica cirúrgica depende da natureza da lesão, do tempo decorrido e da experiência do cirurgião, visando sempre a máxima recuperação funcional.

Perguntas Frequentes

O que são lesões intraforaminais ou avulsão da raiz no plexo braquial?

São lesões pré-ganglionares onde a raiz nervosa é arrancada da medula espinhal. Elas não têm prognóstico para reconstrução microcirúrgica direta, pois não há cotos proximais viáveis, exigindo neurotização.

Qual a importância da neurotização nas lesões do plexo braquial?

A neurotização é crucial para lesões por avulsão de raiz, onde um nervo funcional é sacrificado e transferido para inervar um nervo paralisado, restaurando a função muscular em casos onde a reconstrução direta é impossível.

Quando são realizadas as neurorrafias terminoterminais nas lesões do plexo?

As neurorrafias terminoterminais são indicadas em lesões parciais com neuromas em continuidade, onde há fibrose intraneural, mas ainda existe alguma condução distal após estímulo elétrico. O epineuro externo é aberto para remover a fibrose e permitir a regeneração.

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