Mieloma Múltiplo: Fisiopatologia das Lesões Ósseas

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2020

Enunciado

O acometimento ósseo pelo mieloma múltiplo - MM da doença com lesões líticas que afetam predominantemente o esqueleto do crânio, coluna e gradil costal e as áreas proximais dos membros superiores e inferiores. O item com erro é:

Alternativas

  1. A) As lesões ósseas resultam do aumento da atividade osteoblástica (reabsorção óssea, acompanhada pela exaustão da função osteoblástica e aumento da formação óssea.
  2. B) Na avaliação radiológica inicial, quase 80% dos pacientes terão lesões líticas no esqueleto, acometendo vértebras, arcos costais, crânio, ombros, pelve e ossos longos.
  3. C) Quase 10% dos doentes têm osteopenia difusa ou osteoporose ao diagnóstico.
  4. D) Apesar de geralmente diagnosticadas em radiografias, as lesões líticas só aparecem quando já se perdeu acima de 30% do trabeculado ósseo.

Pérola Clínica

Mieloma Múltiplo: ↑ Atividade osteoclástica e ↓ Atividade osteoblástica → Lesões líticas e osteopenia.

Resumo-Chave

As lesões ósseas no Mieloma Múltiplo são predominantemente líticas, resultantes de um desequilíbrio na remodelação óssea, com aumento da reabsorção pelos osteoclastos e supressão da formação óssea pelos osteoblastos. A alternativa A está incorreta ao afirmar aumento da atividade osteoblástica.

Contexto Educacional

O acometimento ósseo é uma das manifestações mais comuns e debilitantes do Mieloma Múltiplo, presente em quase 80% dos pacientes ao diagnóstico. As lesões líticas, osteopenia difusa e fraturas patológicas são características que levam a dor, hipercalcemia e compressão medular, impactando significativamente a qualidade de vida e o prognóstico. É crucial que o residente compreenda a fisiopatologia para um manejo adequado. A fisiopatologia das lesões ósseas no MM é complexa e envolve a interação entre os plasmócitos malignos e as células do microambiente medular. Os plasmócitos produzem fatores que ativam os osteoclastos (como RANKL e MIP-1α) e inibem os osteoblastos (como DKK1 e esclerostina), resultando em um desequilíbrio que favorece a reabsorção óssea sem a devida formação. Isso explica a natureza lítica das lesões e a ausência de esclerose reacional. O diagnóstico por imagem é essencial, sendo a radiografia esquelética a primeira linha, mas com limitações. Métodos mais sensíveis como TC de corpo inteiro e PET/CT são cada vez mais utilizados. O tratamento visa controlar a doença de base e as complicações ósseas, utilizando bifosfonatos para reduzir a reabsorção óssea e, em alguns casos, radioterapia para lesões dolorosas ou com risco de fratura. O conhecimento aprofundado desses mecanismos é vital para a prática clínica e para as provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são as características das lesões ósseas no Mieloma Múltiplo?

As lesões ósseas no Mieloma Múltiplo são predominantemente líticas, ou seja, áreas de destruição óssea sem evidência de formação óssea reacional. Podem se manifestar como osteopenia difusa, osteoporose ou fraturas patológicas, afetando principalmente o esqueleto axial.

Como o Mieloma Múltiplo causa lesões ósseas?

Os plasmócitos neoplásicos na medula óssea secretam citocinas (como IL-6, RANKL) que estimulam a atividade dos osteoclastos (células que reabsorvem osso) e, ao mesmo tempo, inibem a atividade dos osteoblastos (células que formam osso). Esse desequilíbrio leva à destruição óssea progressiva e à formação de lesões líticas.

Quais exames de imagem são utilizados para avaliar o acometimento ósseo no Mieloma Múltiplo?

A radiografia esquelética é o exame inicial, mas pode subestimar a extensão da doença. Tomografia computadorizada (TC) de corpo inteiro de baixa dose ou PET/CT são mais sensíveis para detectar lesões líticas. A ressonância magnética (RM) é útil para avaliar o envolvimento da medula óssea e compressão medular.

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