HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025
Homem de 55 anos, com múltiplas laparotomias anteriores, foi submetido a uma colecistectomia laparoscópica devido à colelitíase sintomática. Sua endoscopia digestiva alta pré-operatória era normal. O pneumoperitônio foi realizado com agulha de Verres e não há relato de colecistectomia difícil. No primeiro dia pós-operatório, ele desenvolve taquipneia e dor abdominal intensa, distensão abdominal e ausência de evacuações. A ausculta revela redução dos sons intestinais. É submetido a uma tomografia que mostra líquido livre na cavidade abdominal e gás fora de alça. O diagnóstico mais provável, dentre os abaixo, é:
Dor abdominal intensa + gás fora de alça pós-laparoscopia = suspeitar lesão de víscera oca.
A presença de dor abdominal intensa, distensão, taquipneia e, crucialmente, gás fora de alça e líquido livre na TC após uma colecistectomia laparoscópica, especialmente com histórico de múltiplas cirurgias (aumentando risco de aderências), sugere fortemente uma lesão de víscera oca. A agulha de Verres é um ponto de entrada potencial para tais lesões.
A colecistectomia laparoscópica é um procedimento comum e seguro, mas, como qualquer cirurgia, não está isenta de complicações. A lesão de víscera oca é uma complicação rara, porém grave, que pode ocorrer durante a fase de acesso (inserção da agulha de Verres ou trocateres) ou durante a dissecção. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar morbidade e mortalidade significativas. A suspeita de lesão de víscera oca deve surgir diante de um quadro de dor abdominal intensa e desproporcional no pós-operatório imediato, acompanhada de sinais de peritonite, como distensão abdominal, taquipneia e redução dos sons intestinais. O histórico de múltiplas laparotomias anteriores aumenta o risco devido à presença de aderências que podem fixar as alças intestinais, tornando-as mais vulneráveis a lesões. A tomografia computadorizada abdominal é o exame de imagem de escolha para confirmar a suspeita, revelando achados como líquido livre na cavidade abdominal e, principalmente, gás extraluminal (fora das alças intestinais), que é altamente sugestivo de perfuração. O manejo envolve a laparotomia exploradora imediata para identificação e reparo da lesão, além de lavagem da cavidade abdominal e antibioticoterapia.
As lesões podem ocorrer durante a inserção da agulha de Verres ou dos trocateres, por trauma direto com instrumentos cirúrgicos, ou por lesão térmica inadvertida.
Achados incluem líquido livre na cavidade abdominal, gás extraluminal (fora de alça intestinal), espessamento da parede intestinal e, em alguns casos, extravasamento de contraste oral ou retal.
Múltiplas laparotomias aumentam o risco de aderências intra-abdominais, o que dificulta a inserção segura da agulha de Verres e dos trocateres, elevando a chance de lesão de víscera oca.
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