Lesão de Via Biliar Pós-Colecistectomia: Diagnóstico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Durante consulta de rotina, uma senhora de 63 anos diagnosticou colelitíase por cálculo único de 3 cm, através de uma ultrassonografia (US) abdominal. Referia sentir sensação de empachamento pós-prandial, azia e em raras vezes, dor leve há 1 ano. Foi submetida a colecistectomia videolaparoscópica sem aparentes intercorrências, evoluindo no segundo dia pós-operatório com episódio de dor abdominal, febre e icterícia. Sobre este caso, assinale a alternativa mais adequada.

Alternativas

  1. A) A solicitação de enzimas hepáticas, bilirrubinas e US de abdome é suficiente para confirmar possível obstrução biliar iatrogênica.
  2. B) A colecistopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) deve ser a primeira opção para o caso, pois inclusive trata cálculo residual.
  3. C) Colangiografia transparieto hepática oferece estudo dos ductos biliares proximais à lesão e por isso deve anteceder a CPRE.
  4. D) A colangiografia por ressonância magnética está contraindicada até o quadro febril regredir e o paciente ficar afebril por, pelo menos, 24 horas.
  5. E) A tomografia de abdome com contraste não é adequada para avaliação do caso devido a incapacidade de identificar cálculos de colesterol.

Pérola Clínica

Dor + febre + icterícia pós-colecistectomia → suspeitar lesão via biliar, iniciar investigação com US e exames lab.

Resumo-Chave

A tríade de dor abdominal, febre e icterícia no pós-operatório de colecistectomia é altamente sugestiva de complicação biliar, como lesão de via biliar ou cálculo residual. A investigação inicial deve incluir exames laboratoriais (enzimas hepáticas, bilirrubinas) e de imagem (US abdominal) para confirmar a obstrução.

Contexto Educacional

A colelitíase é uma condição comum, e a colecistectomia videolaparoscópica é o tratamento padrão-ouro. No entanto, complicações podem ocorrer, sendo a lesão de via biliar iatrogênica uma das mais graves, com incidência de 0,3% a 0,6%. É crucial que residentes e cirurgiões estejam aptos a reconhecer e manejar essas intercorrências para evitar morbidade significativa. A suspeita de lesão de via biliar surge com a tríade de dor abdominal, febre e icterícia no pós-operatório. A fisiopatologia envolve a lesão direta ou térmica dos ductos biliares, levando a extravasamento de bile ou obstrução. O diagnóstico inicial é feito com exames laboratoriais (bilirrubinas, enzimas hepáticas) e de imagem (US abdominal), que podem evidenciar dilatação das vias biliares ou coleções, sendo a alternativa A a mais adequada para a investigação inicial. O tratamento depende da extensão e tipo da lesão. Exames como colangiografia por ressonância magnética (CPRM) ou CPRE são fundamentais para detalhar a anatomia da lesão. A CPRE pode ser terapêutica para cálculos residuais ou estenoses, enquanto lesões maiores podem exigir reparo cirúrgico complexo. O prognóstico está diretamente ligado ao diagnóstico precoce e manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de lesão de via biliar pós-colecistectomia?

Os sinais clássicos incluem dor abdominal, febre e icterícia no pós-operatório imediato ou tardio, além de fístula biliar ou peritonite. A tríade é um forte indicativo de complicação biliar.

Qual a conduta inicial para suspeita de lesão de via biliar?

A conduta inicial envolve a solicitação de enzimas hepáticas, bilirrubinas e ultrassonografia abdominal. Estes exames podem sugerir dilatação das vias biliares ou coleções, indicando obstrução ou extravasamento.

Quando a CPRE é indicada no manejo da lesão de via biliar?

A CPRE é indicada tanto para diagnóstico quanto para tratamento de cálculos residuais ou estenoses biliares, mas geralmente após exames de imagem não invasivos como a CPRM, que oferece um estudo anatômico sem intervenção.

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