HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2023
Homem de 40 anos, portador de drepanocitose foi submetido a colecistectomia laparoscópica para colecistite aguda. Na cirurgia, vesícula bem inflamada e houve avulsão da artéria cística durante a dissecção do triângulo de Calot. Foi necessário transfusão de 600ml de papa de hemácias, a fim de manter estabilidade hemodinâmica. Recebeu alta hospitalar após 7 dias de internação. Após cerca de 45 dias o paciente retorna ao hospital com icterícia, tendo bilirrubinas totais de 8mg/dl, sendo 4,8mg/dl às custas de direta, associado à elevação da fosfatase alcalina e ultrassom com colédoco de 8mm. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico MAIS provável para esse paciente.
Icterícia colestática tardia pós-colecistectomia com colédoco dilatado = suspeitar lesão iatrogênica via biliar.
A icterícia colestática (bilirrubina direta e fosfatase alcalina elevadas) que surge semanas após uma colecistectomia, especialmente com achados de dilatação do colédoco na ultrassonografia, é altamente sugestiva de uma lesão iatrogênica da via biliar principal, uma complicação grave da cirurgia.
A colecistectomia laparoscópica é um procedimento comum, mas não isento de complicações. A lesão iatrogênica da via biliar principal é uma das mais graves, com impacto significativo na morbidade e qualidade de vida do paciente. É fundamental que o residente esteja atento aos sinais e sintomas que podem indicar essa complicação. A fisiopatologia envolve a lesão direta ou indireta do ducto hepático comum ou de seus ramos durante a dissecção do triângulo de Calot. A avulsão da artéria cística, como descrito no caso, indica uma cirurgia com dificuldades técnicas, aumentando o risco de lesões associadas. A icterícia colestática tardia, com elevação de bilirrubina direta e fosfatase alcalina, juntamente com a dilatação do colédoco, é um forte indicativo de obstrução biliar. O diagnóstico precoce e preciso é crucial para o manejo adequado. Embora a ultrassonografia seja um exame inicial útil, a confirmação e detalhamento da lesão geralmente requerem exames como CPRM ou CPRE, que também podem ter papel terapêutico. O tratamento varia desde drenagem percutânea até reconstrução cirúrgica complexa, dependendo da extensão e tipo da lesão.
Os sinais podem incluir dor abdominal, febre, icterícia (especialmente colestática com bilirrubina direta e fosfatase alcalina elevadas), fístula biliar externa e, em exames de imagem, dilatação das vias biliares.
A icterícia pode ser tardia porque a lesão pode não ser uma oclusão completa imediata, ou pode haver um período de adaptação ou formação de estenose progressiva antes que a obstrução se torne clinicamente manifesta.
A ultrassonografia pode identificar dilatação das vias biliares intra e extra-hepáticas, sugerindo obstrução. No entanto, exames mais detalhados como colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiografia endoscópica retrógrada (CPRE) são frequentemente necessários para delinear a lesão.
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