UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020
Paciente submetida a Colecistectomia Videolaparoscópica retorna à emergência no sétimo dia pós-operatório com dor abdominal, febre e icterícia. Quando contatado, o cirurgião informa que a cirurgia foi realizada por colelitíase, sem processo inflamatório agudo. Diante desse quadro clínico, a hipótese MAIS provável é:
Dor abdominal + febre + icterícia pós-colecistectomia → suspeitar lesão de via biliar.
A tríade de dor abdominal, febre e icterícia no pós-operatório de colecistectomia, especialmente sem inflamação aguda prévia, é altamente sugestiva de lesão cirúrgica da via biliar, que pode levar a vazamento de bile ou obstrução.
A colecistectomia videolaparoscópica é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns, mas não está isenta de complicações. A lesão cirúrgica da via biliar (LCVB) é uma das mais temidas e graves, com uma incidência ligeiramente maior na abordagem laparoscópica em comparação com a cirurgia aberta. A apresentação clínica de uma LCVB pode variar, mas a tríade de dor abdominal, febre e icterícia no pós-operatório, especialmente na primeira semana, é altamente sugestiva. A fisiopatologia da LCVB envolve o vazamento de bile para a cavidade abdominal (fístula biliar), que pode levar a peritonite biliar e sepse, ou a obstrução do fluxo biliar, resultando em icterícia obstrutiva e colangite. O diagnóstico precoce é crucial e pode envolver exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada, colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiografia endoscópica retrógrada (CPRE), que permitem identificar o local e a extensão da lesão. O manejo da LCVB é complexo e multidisciplinar, envolvendo cirurgiões, radiologistas intervencionistas e gastroenterologistas. As opções de tratamento incluem drenagem percutânea de coleções biliares, colocação de stents endoscópicos ou cirúrgicos, e reparo cirúrgico definitivo, que pode variar de uma simples ligadura a uma hepatojejunostomia em Y de Roux. A prevenção, através de uma técnica cirúrgica meticulosa e o reconhecimento de variações anatômicas, é a melhor estratégia.
Os sinais e sintomas incluem dor abdominal, febre, icterícia, náuseas, vômitos, colúria, acolia fecal e, em alguns casos, drenagem de bile por drenos ou ferida operatória.
A ultrassonografia abdominal pode ser o exame inicial, mas a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou a colangiografia endoscópica retrógrada (CPRE) são mais definitivas para visualizar as vias biliares.
A visão bidimensional, a falta de tato e a anatomia distorcida por inflamação ou variações anatômicas podem aumentar o risco de erro na identificação das estruturas biliares durante a cirurgia laparoscópica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo