Lesão de Via Biliar Pós-Colecistectomia: Diagnóstico

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 43 anos, hígida, foi submetida à colecistectomia videolaparoscópica por colecistite crônica calculosa. Durante o procedimento, a artéria cística foi avulsionada da artéria hepática durante a dissecção do triângulo de Calot. A paciente recebeu 1 litro de concentrado de hemácias a fim de manter estabilidade hemodinâmica. Recebeu alta hospitalar após 4 dias de internação e boa evolução clínica. Dois meses depois, ela apresentou-se com icterícia, tendo bilirrubinas totais de 8 mg/dl, sendo 5,5 mg/dl às custas de direta, além de elevação da fosfatase alcalina. Qual o mais provável diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Icterícia hemolítica devido transfusão prévia.
  2. B) Hepatite medicamentosa.
  3. C) Icterícia devido obstrução iatrogênica de via biliar principal.
  4. D) Hepatite transmitida pela transfusão.
  5. E) Hepatite viral aguda não-relacionada ao evento.

Pérola Clínica

Icterícia + bilirrubina direta ↑ + FA ↑ pós-colecistectomia = suspeitar de lesão iatrogênica de via biliar.

Resumo-Chave

A lesão iatrogênica da via biliar principal é uma complicação grave da colecistectomia, que pode se manifestar tardiamente com icterícia obstrutiva (bilirrubina direta e fosfatase alcalina elevadas) devido à estenose ou ligadura acidental do ducto biliar.

Contexto Educacional

A colecistectomia videolaparoscópica é um procedimento cirúrgico comum para colecistite crônica calculosa. Embora seja geralmente segura, uma de suas complicações mais temidas é a lesão iatrogênica da via biliar (LVB), que pode ter consequências graves e a longo prazo para o paciente. A LVB ocorre mais frequentemente devido à má identificação das estruturas anatômicas no triângulo de Calot. A apresentação clínica da LVB pode ser variável, desde vazamento biliar agudo no pós-operatório imediato até icterícia obstrutiva tardia, como no caso descrito. A icterícia, acompanhada de elevação de bilirrubina direta e fosfatase alcalina, é um forte indicativo de obstrução biliar. A avulsão da artéria cística, embora não seja diretamente uma lesão biliar, indica uma dissecção difícil e potencialmente traumática na região, aumentando o risco de lesões associadas. O diagnóstico precoce da LVB é crucial para um melhor prognóstico. Exames de imagem como ultrassonografia, tomografia, colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiografia endoscópica retrógrada (CPER) são essenciais para localizar a lesão e planejar a correção. O manejo depende do tipo e extensão da lesão, podendo variar de drenagem percutânea a reconstruções cirúrgicas complexas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de uma lesão de via biliar após colecistectomia?

Os sinais podem incluir icterícia, dor abdominal, febre, náuseas, vômitos, e elevação de bilirrubina direta e fosfatase alcalina, indicando obstrução ou vazamento biliar.

Por que a lesão da artéria cística pode levar a uma lesão de via biliar?

A dissecção no triângulo de Calot, onde a artéria cística é encontrada, é uma área de risco. Erros de identificação ou dissecção traumática podem levar à lesão do ducto biliar principal, que está anatomicamente próximo.

Como é feito o diagnóstico de uma lesão de via biliar?

O diagnóstico é feito através de exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada, colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiografia endoscópica retrógrada (CPER).

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