PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Uma das maiores preocupações do cirurgião ao realizar a colecistectomia é a lesão inadvertida da via biliar. Em relação a lesões de vias biliares, assinale a alternativa CORRETA.
Lesão de via biliar → 70% das estenoses manifestam-se clinicamente em até 6 meses pós-op.
A lesão iatrogênica da via biliar é uma complicação grave; a maioria das estenoses cicatriciais resultantes manifesta-se no primeiro semestre após a cirurgia.
As lesões iatrogênicas das vias biliares (LIVB) ocorrem em aproximadamente 0,2% a 0,4% das colecistectomias. Embora a técnica laparoscópica tenha trazido inúmeros benefícios, ela não reduziu a incidência dessas lesões, que muitas vezes são causadas pela 'ilusão de ótica' onde o ducto colédoco é confundido com o ducto cístico. A apresentação clínica pode ser precoce (peritonite biliar ou fístula) ou tardia (icterícia obstrutiva por estenose). A estatística de que 70% das estenoses se manifestam em até 6 meses é um dado clássico que reforça a necessidade de seguimento pós-operatório atento. O tratamento definitivo geralmente envolve uma hepaticojejunostomia em Y-de-Roux.
A classificação de Bismuth foca na localização das estenoses biliares em relação à confluência dos ductos hepáticos. Bismuth I: estenose do hepático comum > 2cm da confluência. Bismuth II: < 2cm da confluência. Bismuth III: na confluência, preservando a união dos ductos. Bismuth IV: envolve a confluência e separa os ductos hepáticos direito e esquerdo. Bismuth V: envolve o ducto setorial direito.
A principal estratégia é a obtenção da 'Visão Crítica de Segurança' de Strasberg, que exige: 1. Limpeza do triângulo de Calot de todo tecido gorduroso e fibroso; 2. Descolamento da parte inferior da vesícula do leito hepático; 3. Identificação de apenas duas estruturas entrando na vesícula (ducto cístico e artéria cística).
Se o cirurgião não tiver experiência em reconstrução biliar complexa, a conduta ideal é drenar a cavidade e encaminhar o paciente para um centro de referência. Reparos inadvertidos por mãos não treinadas em centros sem suporte adequado frequentemente resultam em estenoses recorrentes e falha do tratamento a longo prazo.
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