HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Homem de 27 anos de idade é levado à emergência após acidente com fiação elétrica (flash burn), seguida de queda de 3 metros enquanto realizava manutenção de poste de luz. Na cena, encontrava-se hemodinamicamente estável, eupneico, referindo escotomas centrais e periféricos. Intervalo de tempo de trinta minutos. Na admissão hospitalar, o paciente apresentava rouquidão, saturação de oxigênio de 95% em ar ambiente, sem alterações cervicais. Expansibilidade torácica simétrica, murmúrios vesiculares presentes e simétricos, com roncos difusos. Pressão arterial 130x80mmHg e frequência cardíaca 88bpm. Abdome flácido, doloroso à palpação de hipocôndrio direito, sem sinais de irritação peritoneal. Pelve estável, toque retal normal. Escala de coma de Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes, referindo manutenção dos escotomas centrais e periféricos. Presença de queimaduras de segundo graus superficiais em hemiface esquerda e membros bilateralmente, com áreas de segundo grau profundo em mãos. Qual é a primeira conduta a ser realizada neste caso?
Rouquidão + queimadura de face/pescoço/via aérea = alto risco de edema de glote → intubação precoce.
A rouquidão em um paciente com queimaduras na face e pescoço, especialmente após trauma elétrico e inalatório (flash burn), é um sinal de alerta para lesão de via aérea superior e edema de glote iminente. A intubação orotraqueal precoce é crucial para prevenir a obstrução completa da via aérea.
O trauma elétrico, especialmente o "flash burn", pode causar lesões complexas que vão além das queimaduras cutâneas. A avaliação inicial deve seguir os princípios do ATLS, com prioridade para a via aérea, respiração e circulação. A rouquidão, presente neste caso, é um sinal cardinal de lesão de via aérea superior, indicando edema iminente da glote e risco de obstrução. A lesão inalatória, comum em "flash burns" ou em ambientes fechados, pode levar a edema da mucosa respiratória, broncoespasmo e pneumonite química. A intubação orotraqueal precoce é a conduta mais importante para garantir a permeabilidade da via aérea antes que o edema se torne grave e dificulte o procedimento. A decisão de intubar deve ser tomada com base nos sinais clínicos, mesmo na ausência de hipoxemia inicial. Além da via aérea, outras lesões devem ser investigadas, como trauma por queda (fraturas, lesões internas), lesões oculares (escotomas), e lesões cardíacas (arritmias). O manejo inicial inclui também acesso venoso, reposição volêmica e analgesia, mas a via aérea é a prioridade imediata diante dos sinais apresentados.
Sinais de alerta incluem queimaduras na face, pescoço ou tórax, rouquidão, estridor, tosse produtiva com escarro carbonáceo, pelos nasais queimados, e história de inalação de fumaça ou "flash burn" em ambiente fechado.
A intubação precoce é crucial porque o edema da via aérea superior pode progredir rapidamente, tornando a intubação muito mais difícil ou impossível. Intubar antes do edema se instalar garante a permeabilidade da via aérea e evita uma emergência de via aérea.
Os "flash burns" podem causar escotomas (perda de campo visual), catarata, uveíte, neurite óptica e, em casos graves, descolamento de retina. Uma avaliação oftalmológica é sempre recomendada.
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