FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
Paciente com 50 anos é levado pelo SAMU à Emergência de seu hospital depois de um acidente auto x moto em que ele era o motociclista. Fazia uso de capacete. Está hemodinamicamente estável no momento. Chama atenção, ao realizar a sondagem vesical, hematúria macroscópica. Realizada tomografia computadorizada com contraste endovenoso: evidenciado extravasamento de contraste na fase tardia, a partir da bexiga, para a goteira parieto-cólica direita. Qual seria a conduta?
Extravasamento intraperitoneal de contraste da bexiga pós-trauma → Laparotomia com rafia da lesão.
Lesões vesicais intraperitoneais, caracterizadas por extravasamento de contraste para a cavidade peritoneal em exames de imagem, geralmente requerem tratamento cirúrgico imediato (laparotomia com rafia) devido ao risco de peritonite urinária e sepse. Lesões extraperitoneais, por outro lado, podem ser manejadas conservadoramente.
O trauma vesical é uma complicação relativamente comum em pacientes vítimas de trauma abdominal ou pélvico, especialmente em acidentes de trânsito. A presença de hematúria macroscópica após um trauma deve sempre levantar a suspeita de lesão do trato urinário. A avaliação inicial de um paciente traumatizado segue o protocolo ATLS, mas a investigação de lesões específicas, como a vesical, é crucial após a estabilização hemodinâmica. As lesões vesicais são classificadas em intraperitoneais e extraperitoneais, e essa distinção é fundamental para determinar a conduta. As lesões extraperitoneais, que são mais comuns, geralmente resultam de fraturas pélvicas e podem ser tratadas conservadoramente com sondagem vesical prolongada, permitindo a cicatrização espontânea. No entanto, as lesões intraperitoneais, que ocorrem quando a bexiga está cheia no momento do trauma e a força é aplicada diretamente sobre ela, resultam em extravasamento de urina para a cavidade peritoneal. O diagnóstico de lesão vesical intraperitoneal é confirmado por exames de imagem como a cistografia ou tomografia computadorizada com contraste, que demonstram o extravasamento de contraste para o espaço peritoneal (por exemplo, goteiras parieto-cólicas). A conduta para lesões intraperitoneais é quase sempre cirúrgica, envolvendo uma laparotomia exploradora para realizar a rafia (sutura) da lesão vesical. A intervenção cirúrgica é essencial para prevenir complicações graves como peritonite urinária, sepse e formação de abscessos, garantindo um melhor prognóstico para o paciente.
A diferenciação é feita por exames de imagem, como a tomografia computadorizada com contraste ou cistografia. O extravasamento de contraste para a cavidade peritoneal (goteiras parieto-cólicas, espaço de Morrison) indica lesão intraperitoneal, enquanto o extravasamento confinado ao espaço perivesical indica lesão extraperitoneal.
Lesões vesicais intraperitoneais traumáticas geralmente requerem tratamento cirúrgico imediato, que consiste em laparotomia exploradora com rafia (sutura) da lesão vesical. Isso é necessário para prevenir peritonite urinária e suas complicações.
A não correção cirúrgica de uma lesão vesical intraperitoneal pode levar a peritonite urinária, sepse, formação de abscesso e aumento da morbidade e mortalidade. O extravasamento de urina para a cavidade peritoneal é uma emergência cirúrgica.
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