Lesão Uretral em Trauma: Sinais e Conduta Correta

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020

Enunciado

Pacientes com traumas de grande energia apresentam chance de lesão do trato genitourinário. Apesar de menos frequentes que as lesões de órgãos parenquimatosos, sempre devemos suspeitar desta possibilidade para que não passem desapercebidos ou condutas sejam tomadas que possam piorar o prognostico. Assinale a alternativa correta sobre a manifestação clínica e a conduta a ser tomada frente a suspeita destas lesões.

Alternativas

  1. A) Se houver fratura de bacia ao exame físico do quadril, passar sonda vesical somente se não houver hematoma perineal associado.
  2. B) Suspeitar de lesão uretral sempre que houver sangue no canal uretral, hematoma perineal ou fratura de ossos da pelve.
  3. C) Se o paciente estiver consciente, questionar se estava com a bexiga cheia no momento do acidente. Se resposta positiva, realizar uretrocistografia retrógrada.
  4. D) Após avaliação abdominal com FAST positivo, realizar Uretrocistografia retrógrada para garantir que o liquido abdominal não é urina.
  5. E) Passar a sonda uretral de alívio antes de cateterismo de demora com foley, para evitar falso trajeto em caso de lesão uretral.

Pérola Clínica

Suspeitar de lesão uretral em trauma com fratura de pelve, hematoma perineal ou sangue no meato uretral.

Resumo-Chave

A lesão uretral é uma complicação grave do trauma pélvico de alta energia. Sinais como sangue no meato uretral, hematoma perineal (em borboleta) e fratura de pelve são indicativos de alta suspeita. Nesses casos, a passagem de sonda vesical é contraindicada antes da realização de uma uretrocistografia retrógrada para descartar a lesão.

Contexto Educacional

As lesões do trato genitourinário em traumas de alta energia, embora menos comuns que as lesões de órgãos parenquimatosos, são de extrema importância devido ao seu potencial de morbidade significativa se não forem prontamente reconhecidas e tratadas. A suspeita deve ser alta em pacientes com trauma abdominal ou pélvico, especialmente aqueles com fraturas de bacia. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar complicações como estenoses uretrais, disfunção erétil e incontinência urinária. A lesão uretral é uma das mais preocupantes. Os sinais clínicos que devem levantar a suspeita incluem a presença de sangue no meato uretral (o mais importante), hematoma perineal (que pode ter o aspecto clássico em "borboleta"), incapacidade de urinar e, crucialmente, a associação com fraturas de pelve. A uretra masculina, particularmente a porção posterior, é mais suscetível a lesões em traumas pélvicos. Diante da suspeita de lesão uretral, a conduta mais importante é NÃO tentar passar uma sonda vesical de Foley às cegas. A avaliação diagnóstica deve ser feita com uma uretrocistografia retrógrada, que permite visualizar a integridade da uretra e da bexiga. Se houver extravasamento de contraste, a lesão é confirmada, e o manejo pode variar desde a colocação de um cateter suprapúbico até a reparação cirúrgica, dependendo da extensão e localização da lesão. A passagem inadequada de uma sonda pode agravar a lesão, transformando uma lesão parcial em completa ou criando um falso trajeto.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de lesão uretral em trauma?

Os principais sinais de lesão uretral incluem sangue no meato uretral, hematoma perineal (em borboleta), incapacidade de urinar e fratura de ossos da pelve.

Qual a conduta inicial na suspeita de lesão uretral?

Na suspeita de lesão uretral, a passagem de sonda vesical é contraindicada. Deve-se realizar uma uretrocistografia retrógrada para confirmar ou excluir a lesão antes de qualquer tentativa de cateterismo.

Por que a fratura de pelve aumenta o risco de lesão uretral?

A fratura de pelve, especialmente as que envolvem a sínfise púbica, pode causar cisalhamento ou avulsão da uretra, devido à sua proximidade anatômica e fixação aos ligamentos púbicos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo