Lesão Uretral Pós-Trauma: Diagnóstico por Uretrografia

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 45 anos de idade é levado ao departamento de emergência de um grande hospital de sua região após acidente com jet ski, no qual ele era o piloto. No momento, encontra-se eupneico, hemodinamicamente estável, lúcido e orientado. Ao exame de toque retal evidenciou-se uma próstata livremente móvel e elevada. Também foi evidenciado sangue no meato uretral externo. A radiografia pélvica mostrou fratura bilateral dos ramos púbicos.Até o momento o paciente ainda não apresentou diurese. Dentre as alternativas abaixo, qual seria o melhor próximo passo no manejo deste paciente?

Alternativas

  1. A) Esperar que apresente diurese espontânea antes de uma tentativa de sondagem vesical transuretral.
  2. B) Deve-se tentar uma sondagem vesical transuretral de uma forma leve, com parada do procedimento caso encontre qualquer resistência.
  3. C) Realizar um estudo contrastado da uretra antes de qualquer tentativa de sondagem vesical transuretral.
  4. D) Realizar uma cistostomia suprapúbica.
  5. E) Realizar tomografia computadorizada da pelve com reconstrução tridimensional.

Pérola Clínica

Trauma pélvico + sangue no meato + próstata elevada → Uretrografia retrógrada antes de qualquer sondagem.

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma pélvico e sinais de lesão uretral (sangue no meato, próstata elevada), a sondagem vesical transuretral é contraindicada. O próximo passo essencial é a realização de um estudo contrastado da uretra (uretrografia retrógrada) para diagnosticar a lesão antes de qualquer intervenção que possa agravá-la.

Contexto Educacional

Lesões uretrais traumáticas são eventos sérios, frequentemente associados a traumas pélvicos de alta energia, como acidentes automobilísticos, quedas de altura ou, como no caso, acidentes com jet ski. A uretra posterior, em particular, é vulnerável a lesões por cisalhamento ou esmagamento em fraturas de bacia. O reconhecimento rápido e a abordagem correta são fundamentais para minimizar sequelas a longo prazo, como estenoses uretrais, incontinência e disfunção erétil, que impactam significativamente a qualidade de vida do paciente. O quadro clínico de suspeita de lesão uretral inclui sangue no meato uretral, hematoma perineal ou escrotal, incapacidade de urinar e, ao toque retal, uma próstata que pode estar elevada ou 'flutuante' devido à separação da uretra posterior da sínfise púbica. Diante desses sinais, a tentativa de passagem de uma sonda vesical transuretral é estritamente contraindicada, pois pode converter uma lesão parcial em completa ou criar um falso trajeto, exacerbando o dano. O próximo passo no manejo desses pacientes, após a estabilização hemodinâmica, é a realização de uma uretrografia retrógrada. Este exame radiológico com contraste é o padrão-ouro para diagnosticar a lesão uretral, determinar sua localização e extensão. Somente após a confirmação da integridade uretral pela uretrografia é que a sondagem transuretral pode ser considerada. Em caso de lesão confirmada, a drenagem urinária é geralmente realizada por cistostomia suprapúbica, permitindo o tratamento definitivo da lesão uretral em um momento oportuno, após a estabilização do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos que indicam uma possível lesão uretral em um traumatizado?

Os achados incluem sangue no meato uretral externo, hematoma perineal ou escrotal, incapacidade de urinar e, ao toque retal, uma próstata que pode estar elevada, deslocada ou impalpável, especialmente em fraturas pélvicas.

Por que a uretrografia retrógrada é preferível à sondagem vesical em caso de suspeita de lesão uretral?

A uretrografia retrógrada é um exame diagnóstico que visualiza a uretra e detecta extravasamento de contraste, confirmando a lesão sem o risco de agravá-la. A sondagem, por outro lado, pode causar danos adicionais se a uretra estiver lesada.

Quando a cistostomia suprapúbica é indicada no manejo de lesões uretrais?

A cistostomia suprapúbica é indicada para desviar a urina da uretra lesada, proporcionando drenagem vesical segura quando a sondagem transuretral é contraindicada ou impossível. É uma medida temporária que permite o tratamento definitivo da lesão uretral em um segundo momento.

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