Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2023
Paciente trazido pela equipe de bombeiros que relatam queda de uma passarela de aproximadamente 7 metros de altura encontrasse orientado lucido, hemodinamicamente estável, referindo dor e incapacidade de urinar, ao exame físico hematoma em bolsa escrotal, sangue no meato uretral, o toque retal, revela próstata deslocada superiormente. Qual medida inicial deve ser tomada de imediato?
Suspeita de lesão uretral (sangue meato, próstata alta) → Uretrografia retrógrada antes de sondagem.
Em pacientes com trauma pélvico e sinais de lesão uretral (sangue no meato, hematoma escrotal, próstata deslocada ao toque retal), a sondagem vesical transuretral é contraindicada. A medida inicial diagnóstica e crucial é a uretrografia retrógrada para confirmar ou excluir a lesão uretral antes de qualquer tentativa de cateterização.
O trauma urogenital, particularmente a lesão uretral, é uma complicação grave que pode ocorrer em pacientes com trauma pélvico, especialmente fraturas de bacia. A uretra masculina, devido ao seu comprimento e trajeto, é mais suscetível a lesões, sendo a uretra posterior (membranosa e prostática) frequentemente afetada em traumas por desaceleração ou compressão pélvica. O reconhecimento precoce e a conduta adequada são cruciais para prevenir complicações a longo prazo, como estenoses uretrais, disfunção erétil e incontinência urinária. A suspeita de lesão uretral deve ser levantada diante de sinais como sangue no meato uretral, hematoma perineal ou escrotal, incapacidade de urinar e, no exame de toque retal, uma próstata deslocada superiormente ou impalpável. A presença de qualquer um desses achados contraindica formalmente a tentativa de cateterismo vesical transuretral, pois pode converter uma lesão parcial em completa ou criar um falso trajeto, aumentando a morbidade. Nesses casos, a medida diagnóstica inicial e de extrema importância é a uretrografia retrógrada. Este exame contrastado permite visualizar a uretra e identificar o local e a extensão da lesão, guiando a decisão terapêutica. Se houver extravasamento de contraste, a lesão uretral é confirmada. O tratamento definitivo pode variar desde a drenagem suprapúbica da bexiga (cistostomia) em casos de lesão completa, até o manejo conservador ou reparo cirúrgico primário em situações selecionadas, sempre após a confirmação diagnóstica por imagem.
Os sinais de alerta incluem sangue no meato uretral, hematoma perineal ou escrotal, incapacidade de urinar e, no toque retal, a próstata pode estar deslocada superiormente ou ser impalpável. Dor suprapúbica e distensão abdominal também podem estar presentes.
A uretrografia retrógrada é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de lesão uretral. Ela permite visualizar a integridade da uretra, localizar o local da lesão e determinar sua extensão (parcial ou completa), guiando a conduta terapêutica apropriada e evitando iatrogenias.
A sondagem vesical transuretral é absolutamente contraindicada quando há suspeita de lesão uretral, indicada por sangue no meato, hematoma perineal/escrotal ou próstata deslocada. Nesses casos, a tentativa de passagem da sonda pode agravar a lesão.
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