HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2020
Paciente vítima de acidente automobilístico apresenta equimoses em períneo, sangue em meato uretral. O abdome está distendido e o globo vesical está aumentado. O paciente queixa- se de vontade de urinar e o médico do setor de emergência orienta a enfermeira ao cateterismo vesical. Apesar da experiência da enfermeira ela não consegue introduzir o cateter até a bexiga. A respeito do caso podemos afirmar:
Suspeita de lesão uretral (sangue no meato, equimose perineal) → NUNCA cateterizar às cegas; realizar uretrocistografia retrógrada.
Em pacientes vítimas de trauma com sinais de lesão uretral (sangue no meato uretral, equimose perineal, incapacidade de urinar ou globo vesical), o cateterismo vesical às cegas é contraindicado. A conduta correta é realizar uma uretrocistografia retrógrada para avaliar a integridade da uretra antes de qualquer tentativa de sondagem, evitando agravar a lesão.
A lesão uretral traumática é uma complicação grave, frequentemente associada a fraturas de pelve em vítimas de acidentes automobilísticos ou quedas de altura. A sua identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir sequelas a longo prazo, como estenose uretral, incontinência urinária e disfunção erétil. A importância clínica reside na necessidade de uma abordagem sistemática e cuidadosa para evitar iatrogenias. A fisiopatologia envolve a ruptura da uretra, que pode ser parcial ou completa, geralmente devido a forças de cisalhamento ou compressão contra a sínfise púbica. Os sinais e sintomas clássicos que devem levantar a suspeita de lesão uretral incluem a presença de sangue no meato uretral, equimoses ou hematoma perineal/escrotal, dor suprapúbica, incapacidade de urinar e a presença de um globo vesical palpável. Em homens, a lesão uretral posterior é mais comum em traumas pélvicos, enquanto a anterior pode ocorrer por trauma direto no períneo. O diagnóstico é confirmado pela uretrocistografia retrógrada, um exame radiológico que injeta contraste na uretra para visualizar sua integridade. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente e, se houver lesão uretral, evitar o cateterismo vesical às cegas. A conduta adequada é a realização da uretrocistografia retrógrada. Se a lesão for confirmada, a derivação urinária pode ser feita por cistostomia suprapúbica. O tratamento definitivo pode ser cirúrgico, dependendo da extensão e localização da lesão. O prognóstico depende da gravidade da lesão e da rapidez e adequação do tratamento. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de lesão uretral e a seguir o protocolo correto para evitar complicações graves.
Os principais sinais de alerta incluem sangue no meato uretral, equimoses em períneo ou escroto, hematoma perineal, incapacidade de urinar, bexiga palpável e distendida (globo vesical) e dificuldade ou impossibilidade de passagem de cateter vesical.
O cateterismo vesical é contraindicado porque pode agravar uma lesão uretral parcial, transformando-a em completa, ou criar uma falsa via, aumentando o risco de infecção, estenose uretral e outras complicações a longo prazo.
O exame de imagem de escolha para diagnosticar uma lesão uretral é a uretrocistografia retrógrada. Este exame permite visualizar a uretra e identificar o local e a extensão da lesão, orientando a conduta terapêutica adequada.
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