UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Homem de 34 anos de idade, vítima de atropelamento por motocicleta foi arremessado a aproximadamente dois metros do local. Deu entrada no pronto-socorro consciente e queixando-se de dor em hipogástrio. Ao exame físico estava hemodinamicamente estável, apresentava escoriações em região glútea e lateral da coxa à direita, cúpula vesical palpável na cicatriz umbilical e uretrorragia. Os exames subsidiários iniciais diagnosticaram fratura de bacia.Qual o diagnóstico provável além da fratura de bacia?Qual a melhor conduta para o caso?
Trauma pélvico + uretrorragia = suspeita lesão uretral. Contraindicado passar sonda vesical. Realizar uretrocistografia retrógrada.
Em um paciente vítima de trauma com fratura de bacia e uretrorragia, a principal suspeita é de lesão uretral. A passagem de sonda vesical é contraindicada antes da exclusão dessa lesão, sendo a uretrocistografia retrógrada o exame diagnóstico de escolha para avaliar a integridade da uretra.
A lesão uretral é uma complicação grave e relativamente comum em traumas pélvicos, especialmente em homens, devido à anatomia da uretra masculina que atravessa a sínfise púbica. A uretrorragia, juntamente com a fratura de bacia e a cúpula vesical palpável (indicando retenção urinária), são sinais clássicos que devem levantar alta suspeita de lesão uretral. A fisiopatologia envolve o cisalhamento ou esmagamento da uretra, geralmente na porção membranosa ou prostática, contra os fragmentos ósseos da pelve fraturada. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações a longo prazo, como estenoses uretrais, disfunção erétil e incontinência urinária. A conduta inicial é de extrema importância. Em hipótese alguma deve-se tentar a passagem de uma sonda vesical em um paciente com uretrorragia e suspeita de lesão uretral, pois isso pode agravar uma lesão parcial, transformando-a em completa, ou criar um falso trajeto. O exame padrão-ouro para o diagnóstico é a uretrocistografia retrógrada, que permite visualizar a integridade da uretra. O tratamento definitivo pode envolver o cateterismo suprapúbico temporário e, posteriormente, o reparo cirúrgico da uretra, dependendo da extensão e tipo da lesão.
Os sinais de lesão uretral incluem uretrorragia (sangramento pelo meato uretral), incapacidade de urinar, hematoma perineal ou escrotal, e cúpula vesical palpável devido à retenção urinária. A fratura de bacia é um fator de risco importante.
A conduta inicial é estabilizar o paciente e, se houver suspeita de lesão uretral (especialmente com uretrorragia), NÃO tentar passar sonda vesical. Deve-se realizar uma uretrocistografia retrógrada para confirmar ou excluir a lesão.
A uretrocistografia retrógrada é fundamental para visualizar a uretra e identificar o local e a extensão da lesão, orientando a conduta terapêutica, que pode variar de cateterismo suprapúbico a reparo cirúrgico, evitando complicações futuras.
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