INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Paciente de 40 anos, vítima de atropelamento havia 90 minutos. Foi conduzido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), imobilizado com colar cervical, prancha rígida e imobilização pélvica. Durante avaliação inicial, apresentava-se consciente e orientado, com queixa de dor abdominal e pélvica. Ao exame físico, observou-se estabilidade hemodinâmica, presença de hematoma perineal, desalinhamento da pelve, bem como uretrorragia e globo vesical palpável. Diante do caso, qual o procedimento indicado nesse momento?
Trauma pélvico + uretrorragia + globo vesical → Lesão uretral = Contraindicação sondagem vesical → Cistostomia.
A presença de uretrorragia e globo vesical em paciente com trauma pélvico sugere fortemente lesão uretral, contraindicando a sondagem vesical de alívio. A cistostomia suprapúbica é o procedimento de escolha para drenagem urinária nesses casos, evitando agravar a lesão e suas complicações.
O trauma pélvico é uma emergência comum, frequentemente associado a lesões urogenitais, sendo a lesão uretral uma das mais graves. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações como estenose uretral, incontinência e disfunção erétil. A suspeita deve surgir em pacientes com trauma de alta energia, especialmente com sinais como uretrorragia, hematoma perineal e incapacidade de urinar. A fisiopatologia das lesões uretrais em trauma pélvico envolve o cisalhamento ou esmagamento da uretra, geralmente na porção membranosa, devido ao deslocamento dos fragmentos ósseos da pelve. O diagnóstico é primariamente clínico, com os sinais já mencionados. Embora a uretrografia retrógrada seja o exame padrão-ouro para confirmar a lesão e sua extensão, ela não deve atrasar a drenagem vesical em um paciente instável ou com globo vesical. A conduta inicial em caso de suspeita de lesão uretral é a cistostomia suprapúbica para drenagem da bexiga, evitando a sondagem uretral que pode agravar a lesão. O reparo definitivo da uretra é geralmente postergado para um segundo momento, após a estabilização do paciente e a resolução do edema, visando melhores resultados funcionais e minimizando o risco de complicações a longo prazo.
Uretrorragia, hematoma perineal ou escrotal, próstata alta ao toque retal e globo vesical palpável são sinais clássicos que indicam fortemente a possibilidade de lesão uretral em pacientes com trauma pélvico.
A sondagem vesical é contraindicada porque pode agravar uma lesão uretral parcial, transformando-a em completa, ou criar um falso trajeto, aumentando o risco de infecção, extravasamento urinário e complicações futuras como estenose.
A cistostomia suprapúbica é um procedimento de drenagem vesical de emergência, criando um acesso direto à bexiga através da parede abdominal. A uretrocistoscopia é um exame diagnóstico e terapêutico que visualiza a uretra e a bexiga, mas não é a conduta inicial para drenagem em lesão uretral aguda.
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