UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025
Um homem de 40 anos foi atropelado por uma carreta e trazido a uma emergência de hospital. Após seguir a sequência de atendimento preconizada para pacientes vítimas de politrauma, você observa uma saída de pequena quantidade de sangue vivo pelo meato uretral, percebe uma distensão suprapúbica e o paciente relata que ainda não urinou. Ao toque retal, observa-se uma próstata deslocada, mas sem qualquer queixa de dor. Com esses dados, assinale a conduta mais correta a ser adotada:
Trauma + sangue meato + próstata deslocada + distensão suprapúbica → Suspeita lesão uretral → Uretrocistografia retrógrada.
Em um paciente vítima de politrauma com sinais de lesão uretral (sangue no meato uretral, distensão suprapúbica, incapacidade de urinar e próstata deslocada ao toque retal), a passagem de sonda vesical é contraindicada. A conduta mais correta é realizar uma uretrocistografia retrógrada para confirmar ou excluir a lesão uretral antes de qualquer tentativa de cateterismo, prevenindo agravamento do trauma.
A lesão uretral masculina é uma complicação grave de traumas pélvicos, frequentemente associada a fraturas de pelve por mecanismos de alta energia, como acidentes automobilísticos ou quedas. A uretra posterior é a mais comumente afetada nesses casos. A importância clínica reside no alto risco de complicações a longo prazo, como estenose uretral, disfunção erétil e incontinência urinária, se não for diagnosticada e tratada corretamente. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente traumatizado com sinais geniturinários.A fisiopatologia da lesão uretral em traumas pélvicos envolve o cisalhamento ou esmagamento da uretra contra a sínfise púbica ou outros ossos fraturados. Os sinais clássicos de suspeita incluem sangue no meato uretral, incapacidade de urinar, distensão suprapúbica (bexigoma) e, ao toque retal, uma próstata 'alta' ou deslocada devido ao hematoma pélvico. O diagnóstico é confirmado pela uretrocistografia retrógrada, que demonstra o extravasamento de contraste no local da lesão. É crucial evitar a passagem de sonda vesical antes da exclusão da lesão uretral.O tratamento da lesão uretral varia conforme a extensão e localização, podendo envolver a passagem de um cateter suprapúbico para drenagem urinária inicial, seguido de reparo cirúrgico primário ou tardio. O prognóstico depende da gravidade da lesão e da rapidez e adequação do manejo inicial. A conduta inicial correta, priorizando a uretrocistografia retrógrada, é fundamental para minimizar as complicações e melhorar os resultados funcionais a longo prazo, sendo um ponto crítico na formação de residentes em emergência e urologia.
Os sinais incluem sangue no meato uretral, incapacidade de urinar, distensão suprapúbica (indicando bexiga cheia), hematoma perineal ou escrotal, e próstata deslocada ou não palpável ao toque retal.
O cateterismo vesical é contraindicado porque pode agravar uma lesão uretral parcial, transformando-a em completa, ou criar um falso trajeto, aumentando o risco de infecção, estenose e outras complicações a longo prazo.
A uretrocistografia retrógrada é o exame padrão-ouro. Ela envolve a injeção de contraste radiopaco na uretra para visualizar a integridade do trato urinário inferior e identificar o local e a extensão da lesão.
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