Lesão Uretral no Politraumatizado: Manejo e Cistostomia

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019

Enunciado

No exame físico primário de um paciente politraumatizado, condutor de motocicleta que se chocou contra um anteparo fixo, você nota presença de sangue no meato uretral, associado a hematoma escrotal. Sobre este caso, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) O toque retal está contraindicado na suspeita de lesão uretral.
  2. B) Diante de instabilidade hemodinâmica, deve se realizar a sondagem vesical imediatamente do paciente, para melhor controle da diurese.
  3. C) Pela possibilidade de lesão uretral, deve ser realizado uma uretrocistografia retrógrada, independente do estado hemodinâmico do paciente.
  4. D) Caso o paciente apresente instabilidade hemodinâmica, com necessidade de abordagem cirúrgica, uma opção é a realização de cistostomia.

Pérola Clínica

Suspeita de lesão uretral + instabilidade hemodinâmica → cistostomia suprapúbica para drenagem urinária.

Resumo-Chave

Em pacientes politraumatizados com suspeita de lesão uretral (sangue no meato, hematoma escrotal), a sondagem vesical é contraindicada antes da exclusão da lesão. Em caso de instabilidade hemodinâmica, a prioridade é a estabilização, e a cistostomia suprapúbica é uma opção segura para drenagem urinária, evitando manipulação uretral.

Contexto Educacional

A lesão uretral é uma complicação grave em pacientes politraumatizados, frequentemente associada a fraturas pélvicas ou traumas diretos na região perineal. A suspeita deve ser levantada diante de sinais como sangue no meato uretral, hematoma escrotal ou perineal, e próstata alta ou não palpável ao toque retal. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar morbidade significativa, incluindo estenoses uretrais e disfunção erétil. No exame físico primário de um paciente politraumatizado, a presença de sangue no meato uretral ou hematoma escrotal é um alerta máximo para lesão uretral. Nesses casos, a sondagem vesical está absolutamente contraindicada antes da exclusão da lesão por uretrocistografia retrógrada. A tentativa de passar uma sonda pode transformar uma lesão parcial em completa, dificultando o reparo e aumentando as complicações. Em situações de instabilidade hemodinâmica, onde o paciente necessita de intervenção cirúrgica imediata para controle de hemorragia, a avaliação urológica completa pode ser postergada. Nesses cenários, a cistostomia suprapúbica para drenagem urinária é uma opção segura e eficaz, permitindo o desvio da urina sem manipular a uretra lesada. Residentes devem dominar essa conduta para garantir a segurança do paciente e o manejo adequado das lesões urogenitais no trauma.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão uretral em um paciente politraumatizado?

Sinais de alerta para lesão uretral incluem sangue no meato uretral, hematoma escrotal ou perineal, próstata alta ou não palpável ao toque retal, e incapacidade de urinar. A presença de qualquer um desses sinais contraindica a sondagem vesical imediata.

Por que a sondagem vesical é contraindicada na suspeita de lesão uretral?

A sondagem vesical é contraindicada na suspeita de lesão uretral porque pode agravar uma lesão parcial, transformando-a em completa, ou criar uma falsa via, aumentando o risco de infecção e complicações. A avaliação deve ser feita por uretrocistografia retrógrada.

Quando a cistostomia suprapúbica é indicada em casos de lesão uretral?

A cistostomia suprapúbica é indicada para drenagem urinária em pacientes com lesão uretral confirmada ou altamente suspeita, especialmente naqueles com instabilidade hemodinâmica que necessitam de cirurgia de controle de danos, ou quando a uretrocistografia retrógrada não pode ser realizada imediatamente.

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