UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025
Paciente masculino, 40 anos, vítima de colisão veicular em alta velocidade, é admitido hemodinamicamente estável. A radiografia inicial de tórax evidenciou mediastino alargado. Foi realizada angiotomografia de tórax, que revelou: pseudoaneurisma na aorta descendente, localizado após o istmo aórtico, sem sinais de ruptura completa ou hemorragia significativa. De acordo com a classificação de Lesões Traumáticas da Aorta (LTCA), o grau correspondente à lesão apresentada é:
Lesão de Aorta Grau III = Pseudoaneurisma (lesão da íntima e média com adventícia íntegra).
A classificação das lesões traumáticas da aorta define a urgência do tratamento: Graus III e IV geralmente requerem intervenção (preferencialmente endovascular).
As Lesões Traumáticas da Aorta (LTCA) são emergências cirúrgicas decorrentes de traumas de alta energia, como colisões automobilísticas. A classificação de Vancouver (ou de Azizzadeh) é fundamental para a decisão terapêutica. O Grau III, caracterizado pelo pseudoaneurisma, representa uma falha de quase todas as camadas da parede aórtica, contida apenas pela adventícia ou tecidos periaórticos. O tratamento atual prioriza a técnica endovascular (TEVAR) sobre a cirurgia aberta, por apresentar menor morbimortalidade. O controle pressórico rigoroso (alvo de PAS < 100-120 mmHg) é essencial enquanto se aguarda a intervenção definitiva para evitar a progressão para o Grau IV (ruptura).
A classificação é dividida em: Grau I (Flap de íntima), Grau II (Hematoma intramural), Grau III (Pseudoaneurisma) e Grau IV (Ruptura livre/extravasamento de contraste). Os graus I e II podem ser manejados conservadoramente com controle rigoroso de pressão e frequência cardíaca, enquanto III e IV exigem reparo.
A Angiotomografia (Angio-TC) de tórax com contraste é o exame de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade, permitindo identificar a localização exata da lesão, o grau de acometimento da parede e a relação com os vasos da base.
Cerca de 90% das lesões ocorrem no istmo aórtico, logo após a emergência da artéria subclávia esquerda. Isso ocorre porque o arco aórtico é relativamente móvel, enquanto a aorta descendente é fixada pela pleura e ligamento arterioso, criando um ponto de cisalhamento no trauma de desaceleração.
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