HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2023
Paciente, sexo masculino, 20 anos de idade, é trazido por populares, após ser vítima de trauma moto x anteparo, em via expressa, há 45 minutos. Dá entrada no Pronto-Socorro com rebaixamento do nível de consciência. Ao exame, A: via aérea pérvia, colocado colar cervical, SatO₂:92%; B: murmúrios vesiculares bem distribuídos com diminuição em base esquerda, FR: 22ipm; C: bulhas rítmicas e normofonéticas, FC:112bpm, PA: 86x54mmHg, pulsos radiais assimétricos, abdome indolor à palpação, pelve estável e toque retal sem alterações; D: escala de coma de Glasgow: 7, pupilas isocóricas e fotorreagentes; E: escoriações e dor à palpação em hemitórax esquerdo. Foi realizado radiografia de tórax na sala de emergência.Indique o exame padrão-ouro para confirmação diagnóstica do trauma apresentado pelo paciente:
Pulso radial assimétrico + Mecanismo de desaceleração → Suspeitar de Lesão Traumática da Aorta.
A lesão de aorta é uma emergência cirúrgica decorrente de desaceleração brusca; embora a TC seja o exame inicial, a aortografia é o padrão-ouro clássico.
A lesão traumática da aorta é uma das causas mais comuns de morte imediata em acidentes de trânsito. O diagnóstico precoce é vital, pois a ruptura completa da parede aórtica leva ao choque hipovolêmico fatal em minutos. O quadro clínico pode ser sutil, mas a assimetria de pulsos e a diferença de pressão arterial entre os membros superiores são sinais patognomônicos importantes que devem ser pesquisados no exame físico inicial (C do ABCDE). O manejo inicial foca no controle rigoroso da frequência cardíaca e da pressão arterial (frequentemente com betabloqueadores) para reduzir a tensão na parede da aorta (dP/dt) e evitar a progressão da lesão até que o reparo definitivo possa ser realizado. Atualmente, o tratamento endovascular (TEVAR) substituiu a cirurgia aberta em muitos casos devido à menor morbimortalidade, mas o reconhecimento dos critérios diagnósticos clássicos permanece essencial para a formação médica.
A lesão ocorre tipicamente por mecanismos de desaceleração brusca, como em acidentes automobilísticos de alta energia ou quedas de grandes alturas. A aorta é fixada em pontos específicos (como o ligamento arterioso e o diafragma), enquanto outras partes são móveis. Durante a desaceleração, o cisalhamento entre as partes fixas e móveis causa a ruptura, mais comumente no istmo aórtico, logo após a emergência da artéria subclávia esquerda.
Historicamente, a aortografia foi estabelecida como o padrão-ouro devido à sua alta sensibilidade e especificidade em localizar com precisão a lesão, definir sua extensão e planejar a intervenção cirúrgica ou endovascular. Embora a angiotomografia multislice tenha se tornado o exame de escolha na triagem inicial por ser rápida e não invasiva, em provas de residência e contextos acadêmicos clássicos, a aortografia mantém o título de padrão-ouro.
O achado mais clássico na radiografia de tórax é o alargamento do mediastino (> 8 cm). Outros sinais incluem o apagamento do botão aórtico, desvio da traqueia para a direita, depressão do brônquio fonte esquerdo, desvio da sonda nasogástrica para a direita e a presença de 'capuchão apical' (derrame pleural extrapleural no ápice esquerdo). A presença desses sinais em um paciente com trauma de alta energia exige investigação imediata.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo