Lesão Traumática de Aorta: Diagnóstico no Trauma Torácico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem 34a, motorista, sem uso do cinto de segurança quando houve colisão frontal com outro veículo de passeio a 60km/h. Estava preso nas ferragens, e a Unidade Pré Hospitalar demorou em torno de 30 minutos para retirá-lo e em seguida foi levado à Unidade de Pronto Atendimento com queixa de dor no tórax. Na sala de emergência apresentava-se: PA= 121x83 mmHg, FC= 111bpm, FR= 18 irpm, oximetria de pulso (com máscara não reinalante 12L/min de O2)= 97%; Tórax: murmúrio vesicular presente bilateralmente, diminuído posteriormente à esquerda; membros sem alterações. Radiograma de tórax simples na sala de emergência: O DIAGNÓSTICO RADIOLÓGICO É:

Alternativas

  1. A) Hérnia diafragmática esquerda traumática.
  2. B) Pneumotórax simples à esquerda.
  3. C) Atelectasia esquerda por compressão.
  4. D) Lesão traumática de aorta torácica.

Pérola Clínica

Colisão frontal de alta energia + MV diminuído unilateralmente → Alta suspeita de lesão grave, incluindo aórtica ou diafragmática.

Resumo-Chave

Em trauma de alta energia, mesmo com sinais aparentemente 'leves' na sala de emergência, a suspeita de lesões graves como a lesão traumática de aorta torácica deve ser mantida. O mecanismo de trauma e a cinemática são cruciais para guiar a investigação diagnóstica.

Contexto Educacional

A lesão traumática de aorta torácica é uma condição grave e potencialmente fatal, frequentemente associada a traumas de alta energia, como colisões veiculares frontais. Embora muitos pacientes com essa lesão não cheguem vivos ao hospital, a suspeita clínica em sobreviventes é crucial para um diagnóstico e tratamento precoces, que podem salvar vidas. O mecanismo de trauma, especialmente a desaceleração súbita, deve levantar um alto índice de suspeita. Os sinais e sintomas podem ser inespecíficos, e o paciente pode estar hemodinamicamente estável inicialmente. Achados na radiografia de tórax simples, como alargamento do mediastino, podem ser sugestivos, mas não são diagnósticos. A ausculta pulmonar diminuída unilateralmente pode indicar outras lesões, como pneumotórax ou hemotórax, mas não exclui a lesão aórtica. O diagnóstico definitivo geralmente requer exames de imagem mais avançados. A angiotomografia de tórax é o método de escolha para confirmar a lesão aórtica, permitindo a visualização detalhada da parede vascular e a extensão do dano. O manejo é cirúrgico ou endovascular, e a estabilização hemodinâmica e o controle da pressão arterial são prioridades no pré-operatório. A alta suspeição clínica é a chave para o sucesso no manejo desses pacientes complexos.

Perguntas Frequentes

Quais são os mecanismos de trauma que mais causam lesão aórtica?

As lesões traumáticas de aorta são mais frequentemente causadas por traumas de desaceleração rápida, como colisões frontais de alta velocidade ou quedas de grandes alturas, que geram forças de cisalhamento sobre a aorta.

Quais achados na radiografia de tórax simples podem sugerir lesão aórtica?

Achados sugestivos incluem alargamento do mediastino, desvio da traqueia para a direita, obliteração do botão aórtico, derrame pleural à esquerda, fraturas de costelas não contíguas ou de escápula, e hemotórax.

Qual o exame padrão ouro para confirmar lesão traumática de aorta?

A angiotomografia de tórax (angio-TC) é o exame padrão ouro para o diagnóstico de lesão traumática de aorta, oferecendo alta sensibilidade e especificidade para identificar a lesão e planejar a conduta.

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