UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Homem, 40 anos de idade, com queixa de dor no ombro D após queda ao solo sem desnível. Exame físico sem alterações, exceto por dor e perda de força a rotação lateral do ombro D. Radiografias sem alterações. Qual é o diagnóstico mais provável?
Perda de força na rotação lateral do ombro → Lesão do Infraespinhal (ou Redondo Menor).
O infraespinhal é o principal rotador externo do ombro; sua fraqueza após trauma sugere ruptura tendínea, mesmo com radiografias normais.
O manguito rotador é composto pelos músculos supraespinhal, infraespinhal, redondo menor e subescapular. Em traumas agudos, como quedas ao solo, a rotura tendínea deve ser suspeitada quando há déficit motor focal, mesmo na ausência de fraturas radiográficas. O infraespinhal ocupa a faceta média do tubérculo maior do úmero e é o motor primário da rotação externa com o braço em adução. A avaliação sistemática da força muscular é o pilar do diagnóstico clínico das lesões do manguito. A perda de força na rotação lateral é um sinal altamente sugestivo de acometimento do infraespinhal. O diagnóstico definitivo geralmente requer exames de imagem complementares, sendo a Ressonância Magnética (RM) o padrão-ouro para avaliar a extensão da lesão, o grau de retração tendínea e a presença de atrofia muscular ou infiltração gordurosa, fatores que influenciam diretamente o prognóstico cirúrgico.
O músculo infraespinhal é um dos quatro componentes do manguito rotador. Sua principal função biomecânica é a rotação lateral (externa) do úmero. Além disso, ele atua como um estabilizador dinâmico essencial da articulação glenoumeral, ajudando a manter a cabeça do úmero centralizada na cavidade glenoide durante os movimentos do braço. Ele trabalha em conjunto com o músculo redondo menor para realizar a rotação externa, sendo responsável por aproximadamente 60% a 80% da força nesse plano de movimento. Lesões nesse tendão resultam em déficit funcional significativo para atividades que exigem posicionar a mão longe do corpo ou acima da cabeça.
O teste mais comum para avaliar o infraespinhal é a rotação externa resistida. O paciente mantém o cotovelo fletido a 90 graus junto ao tronco, e o examinador aplica uma força de rotação medial enquanto o paciente tenta resistir realizando a rotação lateral. A presença de dor ou, mais especificamente, a perda de força (comparada ao lado contralateral) sugere lesão do tendão. Outro teste específico é o sinal da queda (Lag Sign) em rotação externa: o examinador posiciona o ombro em rotação externa máxima e pede para o paciente manter; se o braço 'cair' em direção à rotação medial, indica uma ruptura completa do infraespinhal.
Embora ambos façam parte do manguito rotador, suas funções e testes são distintos. O supraespinhal é o tendão mais frequentemente lesionado e sua principal função é auxiliar na abdução do braço e estabilização superior; é testado pela manobra de Jobe (Empty Can Test). Já o infraespinhal foca na rotação lateral. Clinicamente, uma lesão isolada do supraespinhal pode não causar perda de força na rotação externa se o infraespinhal estiver íntegro. No entanto, lesões extensas do manguito rotador frequentemente envolvem ambos os tendões, começando pelo supraespinhal e estendendo-se posteriormente para o infraespinhal, resultando em déficits combinados de abdução e rotação externa.
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