UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Homem, 69 anos de idade, procura o PS com queixa de diarreia líquida iniciada há 4 dias e redução do volume urinário nas últimas 24 horas. Faz acompanhamento clínico para tratamento de insuficiência cardíaca em uso de carvedilol, enalapril e furosemida. Exames laboratoriais: creatinina = 1,5 mg/dL (VR: 0,8-1,2 mg/dL); ureia = 90 mg/dL (VR: 20-45 mg/dL); potássio = 4,9 mEq/L (VR: 3.5-5.0 mEq/L). Urina I: densidade 1.035 (VR: 1.005-1.030), presença de grande quantidade de cilindros hialinos, sem outras alterações. Fração de excreção urinária de sódio de 3% e fração de ureia: 28%. O diagnóstico mais provável é
LRA com diarreia/desidratação + FENa < 1% (ou FEUreia < 35%) + cilindros hialinos → LRA pré-renal.
A lesão renal aguda pré-renal é causada por hipoperfusão renal, sem dano estrutural ao parênquima. Caracteriza-se por elevação da ureia e creatinina, com sinais de conservação de sódio e água pelos rins (FENa < 1%, FEUreia < 35%, densidade urinária > 1.020) e presença de cilindros hialinos na urina.
A lesão renal aguda (LRA) é uma síndrome caracterizada por uma rápida perda da função renal, resultando em acúmulo de produtos nitrogenados e desregulação do equilíbrio hidroeletrolítico. A LRA pré-renal é a forma mais comum, representando cerca de 60-70% dos casos, e é crucial seu reconhecimento precoce para evitar progressão para dano renal intrínseco. A fisiopatologia da LRA pré-renal envolve a diminuição da perfusão renal efetiva, sem lesão estrutural do parênquima. Condições como desidratação (diarreia, vômitos), insuficiência cardíaca, sepse e uso de certos medicamentos (IECA, BRA, AINEs) podem precipitar. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exames laboratoriais (aumento de creatinina e ureia) e análise urinária (densidade alta, cilindros hialinos, FENa < 1%, FEUreia < 35%). O tratamento da LRA pré-renal consiste na correção da causa subjacente e na restauração da perfusão renal. Isso geralmente envolve a reposição volêmica adequada. O prognóstico é geralmente bom se a condição for identificada e tratada precocemente, mas a persistência da hipoperfusão pode levar à necrose tubular aguda.
A LRA pré-renal é caracterizada por elevação da creatinina e ureia, com sinais de hipoperfusão renal e mecanismos compensatórios renais, como FENa < 1%, FEUreia < 35%, densidade urinária > 1.020 e presença de cilindros hialinos.
A insuficiência cardíaca reduz o débito cardíaco, diminuindo a perfusão renal. A diarreia causa depleção de volume, levando à hipovolemia e, consequentemente, à hipoperfusão renal, ambos fatores que precipitam a LRA pré-renal.
A FENa e a FEUreia são marcadores úteis para diferenciar LRA pré-renal de necrose tubular aguda. Na LRA pré-renal, o rim tenta conservar sódio e água, resultando em FENa < 1% e FEUreia < 35%. Na NTA, há dano tubular e perda da capacidade de reabsorção, com FENa > 2% e FEUreia > 50%.
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