UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Mulher de 90 anos é trazida a atendimento de urgência desorientada e desidratada após quadro de diarreia e vômitos com inicio há 20 horas. Os familiares referem que a paciente não urina há 12 horas. Ela se encontra hipotensa e você considera a possibilidade de iniciar uma hidratação vigorosa. Qual das opções apresenta parâmetros bioquímicos que reforçariam a necessidade de hidratação rápida?
LRA pré-renal (desidratação) → FeNa < 1%, sódio urinário < 20 mEq/L, relação Ureia/Creatinina > 40.
A lesão renal aguda pré-renal, comum em idosos desidratados, é caracterizada por uma tentativa do rim de reter sódio e água. Isso se reflete em FeNa baixo (<1%), sódio urinário baixo (<20 mEq/L) e uma relação ureia/creatinina plasmática elevada (>40), indicando hipoperfusão renal.
A lesão renal aguda (LRA) é uma síndrome caracterizada pela rápida perda da função renal, resultando em acúmulo de produtos nitrogenados e desregulação hidroeletrolítica. Em idosos, a LRA pré-renal é particularmente comum, muitas vezes precipitada por desidratação severa, como no caso de diarreia e vômitos. A fragilidade e a menor reserva fisiológica tornam essa população mais vulnerável. O reconhecimento precoce e a intervenção rápida são cruciais para evitar a progressão para formas mais graves de LRA. A fisiopatologia da LRA pré-renal envolve uma diminuição da perfusão renal, que leva a uma redução da taxa de filtração glomerular. Em resposta a essa hipoperfusão, o rim tenta compensar ativando mecanismos de conservação de sódio e água, como o sistema renina-angiotensina-aldosterona. Isso se manifesta laboratorialmente por uma fração de excreção de sódio (FeNa) < 1%, sódio urinário < 20 mEq/L e uma osmolaridade urinária elevada. Além disso, a reabsorção tubular de ureia é aumentada, enquanto a creatinina é menos reabsorvida, resultando em uma relação ureia plasmática/creatinina plasmática > 40 (ou > 20:1 em unidades convencionais). O tratamento da LRA pré-renal é primariamente a correção da causa subjacente, que, neste caso, é a hipovolemia. A hidratação vigorosa com soluções cristaloides isotônicas (ex: soro fisiológico 0,9%) é a pedra angular da terapia, visando restaurar o volume intravascular e, consequentemente, a perfusão renal. A monitorização cuidadosa da resposta à hidratação, incluindo débito urinário, pressão arterial e eletrólitos, é essencial para guiar a terapia e evitar sobrecarga volêmica, especialmente em pacientes idosos com comorbidades cardíacas.
Os principais indicadores incluem oligúria, hipotensão, sinais de desidratação, e laboratorialmente, FeNa < 1%, sódio urinário < 20 mEq/L e uma relação ureia/creatinina plasmática > 40.
Na LRA pré-renal, a hipoperfusão renal leva a uma maior reabsorção de ureia nos túbulos renais, enquanto a creatinina, que é filtrada e pouco reabsorvida, tem sua concentração plasmática menos afetada inicialmente, elevando a relação.
A hidratação vigorosa é crucial para restaurar o volume intravascular e a perfusão renal, revertendo a isquemia e prevenindo a progressão para necrose tubular aguda, que é uma forma de LRA intrínseca.
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