Lesão Renal Aguda Pré-Renal: Diagnóstico e Manejo Inicial

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Homem, 27 anos de idade, previamente hígido, foi vítima de acidente automobilístico com sangramentos. Apresenta, à avaliação, PA = 94/52 mmHg, oligúria, creatinina = 1,9 mg/dL (VR 0,7 a 1,3 mg;dL), ureia = 96 mg/dL (VR 20 a 50 mg/dL), K = 6,1 mEq/L (VR 3,5 a 5,1 mEq/L), densidade urinária = 1036 (VR 1005 a 1030), fração de excreção de ureia = 27% e urina I com presença de cilindros hialinos abundantes. Qual é o tratamento mais adequado neste momento?

Alternativas

  1. A) Diálise de urgência.
  2. B) Reposição de volume.
  3. C) Droga inotrópica.
  4. D) Furosemida intravenosa.

Pérola Clínica

Trauma + hipotensão + oligúria + FEUreia > 20% + densidade urinária alta → Lesão renal aguda pré-renal = Reposição volêmica.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de choque hipovolêmico (acidente, sangramento, hipotensão, oligúria) e critérios laboratoriais que apontam para uma lesão renal aguda (LRA) de causa pré-renal. A densidade urinária elevada (1036) e a FEUreia > 20% (apesar de a FEUreia ser mais útil para diferenciar LRA pré-renal de necrose tubular aguda quando < 1%, um valor > 20% em um contexto de oligúria e hipovolemia sugere que o rim ainda está tentando concentrar a urina, mas está sob estresse por hipoperfusão) indicam que o rim está tentando reabsorver água e solutos para compensar a hipovolemia. A hipercalemia é uma complicação da LRA. A prioridade é restaurar a perfusão renal com reposição volêmica.

Contexto Educacional

A lesão renal aguda (LRA) é uma síndrome clínica caracterizada por uma rápida deterioração da função renal, manifestada por elevação da creatinina sérica e/ou redução do débito urinário. A LRA pré-renal é a forma mais comum e ocorre devido à hipoperfusão renal, sem dano intrínseco significativo ao parênquima renal. Causas comuns incluem hipovolemia (hemorragia, desidratação), choque (séptico, cardiogênico) e condições que reduzem o volume circulante efetivo. No caso apresentado, o paciente vítima de trauma com sangramento, hipotensão e oligúria, associado a uma densidade urinária elevada e FEUreia > 20%, aponta fortemente para uma LRA pré-renal. A hipercalemia é uma complicação comum da LRA, que requer atenção, mas a causa subjacente da disfunção renal deve ser abordada prioritariamente. O tratamento mais adequado para a LRA pré-renal é a restauração da perfusão renal através da reposição volêmica agressiva, utilizando cristaloides. A diálise de urgência seria considerada apenas se a hipercalemia fosse refratária ou houvesse outras indicações de urgência dialítica. Furosemida e drogas inotrópicas não são a primeira linha de tratamento para a LRA pré-renal, pois não corrigem a causa base da hipoperfusão e podem até piorar o quadro em um paciente hipovolêmico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais indicadores de lesão renal aguda pré-renal?

Os indicadores incluem hipotensão, oligúria, aumento da creatinina e ureia, densidade urinária elevada (>1020), e uma fração de excreção de sódio (FeNa) < 1% (ou FEUreia > 20% em alguns contextos).

Por que a reposição de volume é o tratamento inicial mais adequado?

A lesão renal aguda pré-renal é causada por hipoperfusão renal. A reposição volêmica visa restaurar o volume intravascular e a perfusão dos rins, sendo a medida mais eficaz para reverter o quadro.

Como diferenciar LRA pré-renal de necrose tubular aguda (NTA)?

Na LRA pré-renal, o rim tenta compensar a hipovolemia, resultando em urina concentrada (densidade urinária alta, FeNa < 1%, FEUreia > 20%). Na NTA, há dano tubular, levando a urina diluída (densidade urinária baixa, FeNa > 2%, FEUreia < 10%).

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