Lesão Renal Aguda: Causas, Diagnóstico e Manejo

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Rosa, 56 anos, 110Kg (IMC 42) com diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica em uso de metformina 850mg(3x), losartana 50mg(2x) e hidroclorotiazida 25mg (1x). Há dez dias em tratamento na UBS por úlcera de membro inferior infectada e infecção de trato urinário por E. coli ESBL+ com doses diárias de ceftriaxona 2g (IV) e gentamicina 160mg (IM). Agora com diminuição da diurese há 48 horas e sonolência. Ao exame físico, PA: 140 X 90 mmHg, FC: 100bpm, T: 37.5ºC,. Exames do PA: Hb = 12.5g/dL, leuco = 10800/mm³ (56% segmentados, 23% linfócitos, 21% eosinófilos), plaquetas = 180000/mm³, Na = 137mEq/L, K = 5.1mEq/L, creatinina = 2.7mg/dL, ureia = 100mg/dL. Sobre o caso, considere as afirmativas e assinale a opção correta.1. A paciente evoluiu com uma lesão renal aguda por bacteremia da úlcera cutânea.2. Ceftriaxona é a causa mais provável de insuficiência renal nesse caso.3. Cefalosporinas podem potencializar o dano renal causado por aminoglicosídeos.4. A paciente deve ser submetida a sondagem vesical de demora e imagem do trato urinário.

Alternativas

  1. A) Somente 1, 2 e 3 estão corretas.
  2. B) Somente 2, 3 e 4 estão corretas.
  3. C) Somente 2 e 3 estão corretas.
  4. D) Somente 3 está correta.
  5. E) Somente 3 e 4 estão corretas.

Pérola Clínica

LRA por aminoglicosídeos + cefalosporinas = nefrotoxicidade potencializada; investigar obstrução urinária em AKI com oligúria.

Resumo-Chave

A lesão renal aguda (LRA) neste caso é multifatorial, mas a nefrotoxicidade por gentamicina é altamente provável, especialmente com o uso concomitante de ceftriaxona, que pode potencializar o dano. A investigação de obstrução urinária com sondagem e imagem é crucial em pacientes com LRA e oligúria, especialmente com histórico de ITU.

Contexto Educacional

A Lesão Renal Aguda (LRA) é uma síndrome clínica comum na prática médica, caracterizada por uma rápida deterioração da função renal, manifestada por aumento da creatinina sérica e/ou diminuição do débito urinário. Sua etiologia é multifatorial, incluindo causas pré-renais (hipovolemia), renais (necrose tubular aguda, nefrite intersticial) e pós-renais (obstrução do trato urinário). O reconhecimento precoce e a identificação da causa são cruciais para o manejo adequado e para evitar a progressão para doença renal crônica. Neste caso, a paciente apresenta múltiplos fatores de risco para LRA, como diabetes, hipertensão e obesidade. O uso concomitante de gentamicina (um aminoglicosídeo altamente nefrotóxico) e ceftriaxona (uma cefalosporina que pode potencializar a nefrotoxicidade dos aminoglicosídeos) é um fator etiológico importante. A nefrotoxicidade por aminoglicosídeos geralmente se manifesta como necrose tubular aguda, com elevação gradual da creatinina e ureia. Além disso, a oligúria e o histórico de infecção do trato urinário (ITU) levantam a suspeita de uma causa obstrutiva, que deve ser prontamente investigada. O tratamento da LRA envolve a identificação e remoção da causa subjacente, otimização do estado volêmico, ajuste de doses de medicamentos e, se necessário, terapia de substituição renal. A investigação de obstrução urinária com sondagem vesical e ultrassonografia renal é um passo fundamental no algoritmo diagnóstico da LRA, especialmente em pacientes com oligúria e histórico de ITU, para descartar hidronefrose ou outras causas obstrutivas que são reversíveis com intervenção rápida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para lesão renal aguda induzida por medicamentos?

Fatores de risco incluem idade avançada, doenças renais preexistentes, diabetes, hipertensão, desidratação e uso concomitante de múltiplos fármacos nefrotóxicos, como aminoglicosídeos, AINEs e contrastes.

Como a gentamicina causa nefrotoxicidade e como ela pode ser potencializada?

A gentamicina é um aminoglicosídeo que se acumula nas células tubulares renais, causando necrose tubular aguda. Sua nefrotoxicidade pode ser potencializada por outros fármacos, como cefalosporinas, que alteram a permeabilidade tubular ou aumentam a captação do aminoglicosídeo.

Quando se deve investigar obstrução urinária em um paciente com lesão renal aguda?

A obstrução urinária deve ser investigada em qualquer paciente com LRA, especialmente na presença de oligúria, dor lombar, histórico de ITU, litíase ou massas pélvicas. A ultrassonografia renal é o exame de imagem inicial de escolha.

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