PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher de 56 anos vai ao Pronto Socorro queixando-se de mal-estar e hiporexia há três dias. Nega outras queixas. É portadora de cirrose hepática por hepatite C crônica. Faz uso de furosemida, espironolactona e carvedilol. Ao exame físico, PA 104/64mmHg, FC 55bpm, Tax 36,2°C. O exame do abdome apresenta submacicez dos flancos, a palpação é indolor e revela normotensão. EXAMES DE LABORATÓRIO: leucocitos 6.780/mm², creatinina 1,6 mg/dL (valor basal 0.7 mg/dL); ureia 54 mg/dL, proteina C reativa 4 mg/L. Assinale a altemativa que apresenta uma conduta inicial INADEQUADA:
AKI na cirrose → Suspender diuréticos/BB + Expansão com Albumina. Terlipressina só após falha da albumina.
O manejo inicial da Lesão Renal Aguda (LRA) no cirrótico exige a exclusão de causas pré-renais com albumina; o uso de vasoconstritores (terlipressina) é conduta de segunda linha após 48h sem resposta.
A Lesão Renal Aguda (LRA) é uma complicação frequente e de mau prognóstico na cirrose. A fisiopatologia envolve vasodilatação esplâncnica acentuada, que leva à redução do volume arterial efetivo e ativação de sistemas vasoconstritores (SRAA e SNS), resultando em vasoconstrição renal. A abordagem inicial deve ser agressiva: 1) Identificar e tratar gatilhos (infecções, hemorragia); 2) Suspender diuréticos, betabloqueadores e anti-inflamatórios; 3) Realizar paracentese diagnóstica para excluir PBE (mesmo sem dor abdominal); 4) Expansão volêmica com albumina (1g/kg/dia, máx 100g). Apenas se não houver resposta após 48h de albumina, e preenchidos os critérios de SHR, inicia-se o vasoconstritor (terlipressina ou noradrenalina).
Segundo os critérios do International Club of Ascites (ICA), a LRA na cirrose é definida por um aumento da creatinina sérica ≥ 0,3 mg/dL em 48 horas ou um aumento ≥ 50% em relação ao valor basal nos últimos 7 dias. No caso clínico, a paciente subiu de 0,7 para 1,6 mg/dL, configurando LRA estágio 2.
A terlipressina é o tratamento de escolha para a Síndrome Hepatorrenal (SHR-LRA). No entanto, o diagnóstico de SHR exige a exclusão de choque, uso de nefrotóxicos e, crucialmente, a ausência de melhora após 48 horas de expansão volêmica com albumina (1g/kg/dia). Iniciar terlipressina antes desse período é prematuro e inadequado.
Em pacientes cirróticos com LRA, deve-se suspender medicamentos que possam reduzir a perfusão renal. Diuréticos (furosemida/espironolactona) agravam a hipovolemia efetiva, e betabloqueadores (carvedilol) podem reduzir o débito cardíaco e a pressão arterial média, piorando a vasoconstrição renal reflexa.
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