PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher de 56 anos vai ao pronto-socorro queixando-se de mal-estar e hiporexia há três dias. Nega outras queixas. É portadora de cirrose hepática por hepatite C crônica. Faz uso de furosemida, espironolactona e carvedilol. Ao exame físico, PA 104/64mmHg, FC 55bpm, Tax 36,2ºC. O exame do abdome apresenta submacicez dos flancos, a palpação é indolor e revela normotensão. EXAMES DE LABORATÓRIO: leucócitos 6.780/m³; creatinina 1,6mg/dL (valor basal 0,7mg/dL); ureia 54mg/dL; proteína C reativa 4mg/L. Assinale a alternativa que apresenta uma conduta inicial INADEQUADA:
LRA em cirrótico: suspender diuréticos/betabloqueadores, albumina, paracentese. Terlipressina após exclusão de outras causas.
Em cirróticos com LRA, hipotensão e sem infecção clara, a conduta inicial inclui suspender betabloqueadores (carvedilol), administrar albumina e realizar paracentese diagnóstica para excluir PBE. A terlipressina é tratamento para SHR, mas deve ser iniciada após essas medidas e exclusão de outras etiologias.
Pacientes com cirrose hepática avançada são particularmente suscetíveis à lesão renal aguda (LRA), uma complicação grave que aumenta significativamente a morbimortalidade. A LRA em cirróticos pode ter diversas etiologias, incluindo hipovolemia, nefrotoxicidade, peritonite bacteriana espontânea (PBE) e a temida síndrome hepatorrenal (SHR). Diante de um paciente cirrótico com LRA, a conduta inicial deve ser sistemática. É fundamental suspender diuréticos e fármacos nefrotóxicos (como AINEs e, em casos de hipotensão, betabloqueadores como o carvedilol). A expansão volêmica com albumina intravenosa é uma medida inicial importante. Além disso, a paracentese diagnóstica é essencial para excluir PBE, uma causa comum e tratável de LRA. A terlipressina é um vasoconstritor esplâncnico usado no tratamento da SHR tipo 1, mas sua prescrição deve ocorrer após a exclusão de outras causas de LRA e a falha das medidas iniciais de expansão volêmica. Iniciar terlipressina sem antes realizar essas etapas diagnósticas e terapêuticas iniciais seria uma conduta inadequada, pois atrasaria o tratamento de outras etiologias e poderia expor o paciente a efeitos adversos desnecessários.
A LRA em cirróticos é definida por um aumento da creatinina sérica de ≥ 0,3 mg/dL em 48 horas ou um aumento de ≥ 50% em relação ao valor basal conhecido nos últimos 7 dias.
A paracentese diagnóstica é crucial para excluir peritonite bacteriana espontânea (PBE), uma infecção comum em cirróticos que pode precipitar LRA e que requer tratamento antibiótico imediato.
A terlipressina é indicada para o tratamento da Síndrome Hepatorrenal (SHR) tipo 1, após a exclusão de outras causas de LRA e falha na expansão volêmica com albumina.
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