FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Durante estágio na nefrologia, você é solicitado para avaliar um paciente de 72 anos de idade com diabetes mellitus tipo 2, internado para a urologia devido choque séptico urinário secundário a hiperplasia prostática benigna. Já na admissão, ele apresentava creatinina sérica de 3,6 mg/dl, sendo que no sistema hospitalar havia um exame prévio com valor de 1,8 mg/dl, com data de 2 meses atrás. Como deve ser classificada essa piora da função renal?
LRA KDIGO 2 = creatinina 2-3x basal OU aumento ≥ 0,3 mg/dL em 48h + creatinina 1.5-2x basal.
A classificação KDIGO para Lesão Renal Aguda (LRA) utiliza critérios de aumento da creatinina sérica em relação ao valor basal ou em um período de 48 horas. Um aumento de 1,8 mg/dL para 3,6 mg/dL representa um dobro do valor basal, o que se enquadra no estágio 2 da LRA.
A Lesão Renal Aguda (LRA) é uma síndrome caracterizada por uma rápida deterioração da função renal, manifestada por um aumento da creatinina sérica e/ou diminuição do débito urinário. É uma condição comum em pacientes hospitalizados, especialmente aqueles com comorbidades como diabetes mellitus e em situações de choque séptico, como no caso apresentado. A classificação da LRA é fundamental para estratificar o risco, guiar o tratamento e prever o prognóstico. A diretriz KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) estabeleceu critérios padronizados para a classificação da LRA em três estágios, baseados no aumento da creatinina sérica em relação ao valor basal e/ou na redução do débito urinário. Para a creatinina, o estágio 1 é um aumento de 1,5 a 1,9 vezes o basal ou um aumento absoluto de ≥ 0,3 mg/dL em 48 horas. O estágio 2 é um aumento de 2 a 2,9 vezes o basal. O estágio 3 é um aumento ≥ 3 vezes o basal, ou creatinina sérica ≥ 4,0 mg/dL com aumento agudo de ≥ 0,3 mg/dL, ou início de terapia de substituição renal. No caso do paciente, a creatinina basal era de 1,8 mg/dL e subiu para 3,6 mg/dL. Isso representa um aumento de 2 vezes o valor basal (3,6 / 1,8 = 2). Portanto, essa piora da função renal se enquadra no estágio 2 da classificação KDIGO. O manejo da LRA envolve a identificação e tratamento da causa subjacente (neste caso, choque séptico urinário por HBP), otimização do estado volêmico, suspensão de drogas nefrotóxicas e monitoramento rigoroso da função renal e eletrólitos. A intervenção precoce é crucial para minimizar o dano renal e melhorar os desfechos.
Os critérios KDIGO para LRA baseiam-se no aumento da creatinina sérica (≥ 0,3 mg/dL em 48h ou ≥ 1,5x o basal em 7 dias) e/ou na redução do débito urinário.
O estágio 2 da LRA KDIGO é definido por um aumento da creatinina sérica para 2 a 2,9 vezes o valor basal, ou um aumento absoluto de ≥ 0,3 mg/dL em 48h e creatinina 1.5-2x basal.
A classificação precoce da LRA permite identificar a gravidade, guiar o manejo clínico, otimizar a hidratação e evitar nefrotoxinas, melhorando o prognóstico e prevenindo a progressão para doença renal crônica.
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