Lesão Renal Aguda: Diagnóstico Diferencial e Causas

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 55 anos, hipertenso há 5 anos, dislipidêmico, relatou redução do débito urinário e edema em face e membros inferiores há 8 dias. Faz uso de enalapril 20mg/dia e hidroclorotiazida 25mg/dia. Passado recente de torção do joelho em partida de futebol com os amigos. Vem em uso quase que diário de cetoprofeno há 15 dias. Negou doença renal conhecida. Na sua avaliação laboratorial encontramos: creatinina: 1,8mg/dL, ureia: 55mg/dL, potássio: 5,1 mEq/L, osmolaridade urinária de 250 mmol/kg, Cilindros leucocitários no sumário de urina e fração e excreção de sódio de 2. Sobre o caso clínico exposto, podemos afirmar que se trata de lesão renal:

Alternativas

  1. A) Aguda pré-renal.
  2. B) Aguda renal.
  3. C) Aguda pós-renal.
  4. D) Crônica não dialítica.
  5. E) Crônica dialítica.

Pérola Clínica

LRA com AINEs, cilindros leucocitários e FeNa > 1% → lesão renal intrínseca (NIA).

Resumo-Chave

O uso prolongado de AINEs em paciente com comorbidades (HAS, dislipidemia) pode causar nefrite intersticial aguda, uma forma de lesão renal intrínseca, evidenciada por cilindros leucocitários e FeNa > 1%.

Contexto Educacional

A lesão renal aguda (LRA) é uma síndrome caracterizada por uma rápida diminuição da função renal, resultando em acúmulo de produtos nitrogenados e desregulação do balanço hidroeletrolítico. É uma condição comum em pacientes hospitalizados e pode ser classificada em pré-renal, renal intrínseca e pós-renal, cada uma com etiologias e abordagens diagnósticas distintas. No caso apresentado, o paciente faz uso de cetoprofeno, um anti-inflamatório não esteroide (AINE), por 15 dias. AINEs são conhecidos por sua nefrotoxicidade, podendo causar LRA por diferentes mecanismos, incluindo a nefrite intersticial aguda (NIA). A presença de cilindros leucocitários no sumário de urina é um achado característico de NIA, indicando inflamação no interstício renal. Além disso, a osmolaridade urinária de 250 mmol/kg (baixa) e a fração de excreção de sódio (FeNa) de 2% (elevada, ou seja, >1%) são indicativos de que os túbulos renais não estão funcionando adequadamente na reabsorção de sódio e na concentração da urina, o que aponta para uma lesão renal intrínseca, e não pré-renal (onde a FeNa seria <1% e a osmolaridade urinária estaria elevada). A hipercalemia (potássio: 5,1 mEq/L) também é uma complicação comum da LRA. Portanto, o quadro é compatível com LRA renal intrínseca, provavelmente nefrite intersticial aguda induzida por AINEs.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais tipos de lesão renal aguda (LRA)?

A LRA é classificada em pré-renal (hipoperfusão renal), renal intrínseca (dano direto ao parênquima renal) e pós-renal (obstrução do fluxo urinário).

Como os AINEs podem causar lesão renal aguda?

Os AINEs inibem a síntese de prostaglandinas renais, que são importantes para manter a perfusão renal, especialmente em estados de hipovolemia ou em pacientes com comorbidades, podendo levar à LRA pré-renal ou, mais raramente, à nefrite intersticial aguda.

Qual a importância da fração de excreção de sódio (FeNa) na LRA?

A FeNa é um indicador útil para diferenciar LRA pré-renal (FeNa < 1%) de LRA renal intrínseca (FeNa > 1%), pois reflete a capacidade do túbulo renal de reabsorver sódio.

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